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sábado, 5 de setembro de 2009

(À DERIVA - direção e roteiro de Heitor Dhalia)

À Deriva tem uma riqueza de detalhes digna de uma reconstituição arqueológica e também escarafuncha nossa alma através do drama alheio, ao nos colocar frente à uma realidade que de uma forma ou de outra conhecemos, seja por termos vivido, seja por termos ouvido em comentários ou em tom de desabafo de algum amigo e por que não, amiguinha de infância?
O filme nos remete a vários pensamentos e passa de uma forma se não contundente muito tocante, a mensagem de que não devemos julgar com precipitação, pois nem tudo o que nos parece é. Tudo isso embalado por belas imagens, fotografia linda, ângulos bonitos e uma trilha sonora eficiente. O filme se passa numa casa de praia, com uma família atpé então prefeita em temporada de férias. Mostra uma grande turma de adolescentes e suas descobertas, mas tem cenas internas escuras e algumas tomadas da praia tem um contraste do cinza dos rochedos e um certo tom pastel como que a mostrar que nem tudo é alegria nos momentos que deveriam ser felizes felizes.
O bacana desse filme é que vamos descobrindo todas as coisas junto com as personagens. É surpreendente, por isso não dá pra achar chato, como alguns que o viram antes de mim comentaram. Podemos nos questionar com relação até que ponto somos responsáveis pelo que nossas atitudes vão gerar em nossos filhos.
Qual o limite das coisas que devemos dividir com eles.
O quanto eles podem saber sobre nós sem que percebamos e o quanto eles idealizam sobre nós sem que saibamos.
Crescer dói e a história universalíssima deste filme nos informa que chega um momento na nossa vida que não dá para nos recusarmos a crescer e este processo uma vez iniciado, não terá fim jamais e nós, por mais que tenhamos uma idéia do que queremos ou de para onde desejamos ir, estaremos sempre à deriva. À Deriva é um filme emocionante, por ser verdadeiro.
Filipa ( Laura Neiva, em seu primeiro trabalho - descoberta pelo diretor através do Orkut, flerta feroz e displicentemente com a câmera que ora mostra uma menina, ora mostra uma quase-mulher, sempre um rosto anguloso gostoso de ver) está se descobrindo como mulher. E nós sabemos que isso significa querer ao mesmo tempo que não se quer. Querer para não saber o que fazer quando conseguimos. Ela exercita seu poder e influência, sobre Arthur ainda que não saiba exatamente o tamanho da sua “autoridade”. Filipa julga seus pais a partir das suas descobertas, segue investiga, observa e se no início aparece apegadíssima ao pai, para o qual parece dirigir um olhar ligeiramente incestuoso, pouco depois “compra o barulho” da sua mãe até perceber que precisa ter seus próprios problemas, até ouvir o chamado da sua própria vida. Não sei se intencionalmente, mas este filme pareceu-me dizer que existe mais de uma forma de ouvirmos este chamado.
A mãe de Filipa, Clarice - na interpretação equilibradíssima de Débora Bloch afoga as mágoas em duas pedras de gelo e muitos dedos de whisky chegando a comover pela insanidade em que se move, apesar do mau exemplo que dá aos filhos. Ela tem a árdua tarefa de definir uma situação difícil por natureza, reveladora de sua natureza e que acaba por decidir sem raciocínio, sem se reconhecer na decisão. Clarice está à deriva boiando à superfície dos seus sentimentos seus e na expectativa de outros sentimentos não seus. O irmão mais novo de Filipa faz um contraponto que mostra a total inexistência ou inutilidade de um filho do meio, neste filme uma filha.Seu pai, Mathias (Vincent Cassel), um escritor francês nos aponta os caminhos do nosso pragmatismo, do quanto podemos estar errados ao julgar a partir do que vemos. Do quanto a nossa cultura nos leva a preconceber julgamentos que jamais se concretizarão dentro de uma razoável razão. É ele quem vai nos mostrar o quanto podemos ser capaz de nos renovar mediante certas situações e o quanto isso pode ser inútil e quanto o aceitar uma opção na qual não estamos incluídos pode nos fazer mudar nossos conceitos. É diante do inevitável fato consumado que Mathias entende o pensamento prático de Clarice vendendo os direitos do seu livro para um diretor de TV que não admira. A separação tem disso: Nos mostra uma força que não sabíamos que tínhamos e uma coragem que não sabemos de onde veio. Algumas descobertas levam alguns pelo caminho mais egoísta e tornam outros mais ternos.

Esse filme tem as tintas exatas de todo um cenário de revolução de sentimentos, desejos, interesses e costumes de uma época e de algumas fases que passamos ou poderemos passar. Tem um clima de mistério de quem está descobrindo o mundo, a vida, a morte, a violência, o corpo, amor. Com muitas cenas aquáticas, sempre temos a impressão de que algo de grave virá após tantos mergulhos e bater de pés. Tem figurinos perfeitos, muito bronze, cenários paradisíacos e atores excepcionalmente bem escolhidos. Dá pra ver se não a nossa vida, nossos medos passando na tela, de uma forma que deixamos de dar importância à gaveta revirada e arma desaparecida, afinal Mathias, está tão ausente da família exatamente por estar inteiramente submerso e flutuando nela.

domingo, 24 de maio de 2009

(Pouco Barulho para Tanto)


“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” e felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiros não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção. Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.
Até ver o filme eu não tinha a mais vaga idéia sobre quem era Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em “armários” ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.
Milk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região na qual vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora a responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que um hétero…Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.
Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt ( James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível!
Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não gostar de carnaval... Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.
No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.
Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho - e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!
Em suas panfletagens, conhece Cleve Jones (Emile Hirsch). Ele não está interessado em política, não quer saber de ativismo, está com dinheiro no bolso indo para a Espanha. Sou obrigada a concluir que grandes ou pequenas causas não movem um cidadão comum, enquanto elas não lhe arranham a própria pele. Gay ou não, somos individualistas e ponto. Cleve Jones, irá reaparecer no filme, após ter “quebrado a cara” com o seu “amor espanhol” e terá uma participação de destaque na história.
Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média.
Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade, utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!


Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade.
O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008, nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.”
A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

(Lemon Tree)

Um filme sensível, de belíssima fotografia com excelente e linda atriz. Beleza a despeito da idade ou justamente por causa dela, me pareceu uma perfeita palestina retratando a Palestina. Salma Zidane (Hiam Abass), numa primeira cena aparece cortando limões e fazendo compotas. Vê-se em suas mão a habilidade de quem breve terá um limão não azedo mas muito amargo para cortar…

O filme recheado de muitas sutilezas, delineados por clarezas deixou-me ligeiramente deprimida por sua carga de injustiças e dominações daquelas que nada podemos fazer a respeito até que percebemos que por maior que seja o oponente e por menor que seja o oprimido, notamos o quanto de covardia pode haver nesse clichê “o que eu posso fazer?”

Vive Salma com seus mais de 40 anos, a plantar seus limões, a cuidar do seu pomar, plantado há mais de 50 anos por seu pai. O maior adubo das árvores são com certeza, história e lembranças, e seus frutos transformam-se em limonadas que nenhuma personagem deixou de exclamar como deliciosa.

Entre muita solidão e algumas lembranças, Salma vai levando a vida, viúva, com filhos criados vivendo distante, até o dia em que ganha um vizinho, de nome Israel, ministro da defesa do Estado homônimo. Um chefe do Serviço Secreto supõe que o pomar de Salma seria o um caminho estratégico para terroristas que quisessem atentar conta a segurança do ministro. Ela recebe uma carta comunicando o fim do seu pomar e que seria indenizada por isso. Começa aí, um pesadelo temperado por esperança e perseverança. O primeiro passo é traduzir a carta escrita em hebraico. O segundo buscar ajuda. O filho que mora nos EUA, não pode sequer terminar com tranqüilidade o telefonema; a filha casada e com 2 ou 3 filhos e marido é mais comovida com sua própria penúria que pelo drama da mãe e, no local onde estão apenas homens onde ela consegue de um “amigo” a tradução da carta. Tudo o que ela consegue saber além do conteúdo, é que nada pode ser feito, arbitrariedade similar já ocorrera com todos por ali e ela, palestina, não pode aceitar nenhum dinheiro israelense… O egoísmo que sacode por lá é o mesmo que paira por cá…


Salma Zidane contrata um advogado (Ali Suliman), indicado pelo genro. Eles vão à corte onde sequer conseguem falar. Ela decide recorrer a Suprema Corte. A partir daí, sentimentos desdobram-se diante de atos e fatos. É sutil e delicado porém perceptível o envolvimento e quase sedução madura de quem não pretende uma entrega mas compreende o direito feminino de mostrar-se bela: Numa cena onde ao atender o advogado que bate à porta, ela decide não usar seu hijab; nas cenas onde ela passa o seu baton e naquela, em que ela tira o mesmo baton para atender alguém que chega e que não é o advogado. A delicadeza com que o medo é mostrado é a mesma que mostra o modo das personagem ir em frente.

É clara a solidão de Salma quando ela conta que quando não há uivos de lobos, ela se sente só e quando eles uivam ela se sente uivando com eles. É claro a sua obstinação quando ela em uma única frase resume a espinha dorsal de todo o filme: “eu já sofri demais” (e por isso exatamente por isso, ela vai à luta e não entrega sem resistência tudo aquilo que ainda possui e que lhe traz paz de espírito, sua casa, seu pomar, suas lembranças, suas tradições culturais. Não importa o preço ela paga!)

Lemon Tree,é um filme tocante que mostra a intolerância daqueles que já acostumamos a ver como vítimas. Mostra a disputa e os poucos lados da única questão que é querer o que é do outro. Tomar posse simplesmente por achar que se tem direito por ser o mais forte, o detentor do poder, da autoridade. É o que demonstra a visita de um provavelmente parente do finado marido, a dizer que mantenha limpa a memória do falecido. Não importa de que lado esteja a força, ela estará forçando sempre o mais indefeso… Assim, a atitude ou falta dela com a qual se responde ou se corresponde às situações nas quais o uso arbitrário da força nos coloca.

Esse filme é baseado numa história real e, talvez por isso mexa na ferida que é a impotência consentida ou não e seus descaminhos.

Mira (Rona Lipaz-Michael) surge no filme, numa situação de felicidade e futilidade. Ela é a feliz dona de casa judia, casada com o ministro da defesa de Estado de Israel. Durante os preparativos para a festa de inauguração da casa, eles têm uma conversa que demonstra que se ela faz algumas concessões, não significa que seja desatenta ou que ignore os fatos. O nível de tolerância do ministro é claramente demonstrado quando Mira sugere iguarias árabes e o marido, depois de breve rodeio bate o martelo escolhendo o cozinheiro e que este faça apenas comidas kosher…

Mira, se envolve na causa da sua vizinha árabe, através de olhares e atitudes que irão perdendo a timidez ao longo do filme. Esse filme é um grande filme muito mais por aquilo que induz do que pelo que mostra. Muito mais do que a disputa entre palestinos e israelenses, mas por mostrar a forma como cada uma dessas culturas tratam suas mulheres, semelhantes e rivais. Espera-se um comportamento respeitoso sem que nada se faça para realmente o obter, nisso em que eles são diferentes dessa nossa cultura tão ocidental e moderna?
Exceção a essa regra, é o misto de empregado, pai de criação e melhor-amigo- que- parece- não- dar- muita- confiança, o bom velhinho que recusa convite pra almoçar mas se interessa em saber sobre a visita da filha de Salma, o que demonstra que ele percebe a sua solidão mas por motivos culturais, vê esta solidão como algo inerente ao destino de uma mulher viúva e árabe, o que não o impede de ir às “vias de fato” com Ziad. Dessa forma, essa personagem que não sei o nome deste ator que desconheço, é o único que não vai até Salma fazer-lhe cobranças e imposições por seu comportamento, como se um relacionamento, quando precisa ser proibido, fosse de competência única e exclusiva da mulher, afinal ela é o pecado, o homem só erra por ser tentado…. Conhecendo Salma desde criança ele confia nela e só no final do filme entendemos essa forma de relacionamento sem conversa, apenas por atitudes, sim, exatamente da mesma forma como se “comunicam” Salma e Mia…

Em filmes que falam pela ausência de palavras um quadro na parede pode dizer muito de uma produção, tanto quanto o casaco que uma personagem veste. Reparem além da foto do marido de Salma na parede, a foto do craque Zidane no quarto de hóspede e o agasalho verde e amarelo de Ziad.

O par da nossa heroína, Ziad Daud deixa claro que há os que se acomodam sem motivos para mais uma luta, pois desistiram, porém tendo uma boa causa, se empenham e se aplicam em vencê-la, o que não significa que seus horizontes se expandirão muito além dos seus interesses pessoais. Outra lição que o nosso advogado nos passa é que nem sempre o melhor aliado para uma luta seria melhor companheiro para nossa vida…

Agora, uma anotação muito pessoal:

Eu que cresci vendo nos telejornais essa loucura palestino-judaico (ou seria vice-e-versa?) sem nunca ter compreendido muito bem, ao que um dia um professor me disse que “se fosse fácil eles já teriam se entendido e nós simplesmente estudaríamos história”, óbvio que tomei o caminho mais fácil de não buscar entender nada tão complicado. No entanto, por influência da 2ª guerra, tenho como muitos da minha geração, o vício ou tendência de ver os judeus como vítimas eternas. Este filme me sinalizou que já passou da momento de rever vários dos meus conceitos. O mundo é muito mais do que nos diz as fantasias americanas.

Texto para: Cinema é a Minha Praia
http://lella.wordpress.com/2008/12/21/lemon-tree-etz-limon/

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

(QUEIME DEPOIS DE LER)

Então, fugindo da tristeza fui ao cinema.
A verdade é que entre qualquer filme estrangeiro e um brasileiro, minha audiência vai para o BR.
No Arteplex estava em cartaz, entre outros que não lembro o "Queime Antes de Ler" e "Escola de Meninos". Embora eu tivesse comentado um dia antes que queria ver o filme com Murilo Rosa, a amiga vascaína lembrou-se que uma semana antes eu tinha comentado sobre o filme com Brad Pitt. E foi esse o ingresso que ela gentilmente comprou para mim.
Não se contraria quem já tem motivos de sobras para estar chateado e combinemos que Brad Pitt não é nenhum sacrifício! O problema foi entrar na sala de projeção sem resenha, levada apenas por Clooney e Brad, pensando que veria um filme de ação, suspense, espionagem como o trailer visto na semana anterior, induzia.

Queime depois e ler, é uma piada. Chateia quem vai assisti-lo com espírito de coisa séria, mas lava a alma de quem já cansou de ver americano salvar o mundo ou apenas um homem americano acabar sozinho com a banda podre do mundo.
Ver a liberdade sexual e o divórcio virar brincadeirihas de pessoas depressivas, fúteis e entediadas em vez de a salvação afetiva que o mundo precisaria aprender com a América.
Ver o quanto uma americana acima de 40 valoriza a amizade e sua necessidade vital de fazer cirurgias estéticas.
"Queime Depois de ler", achincalha o poder. O poder da mulher empregada em detrimento do marido que pede demissão por motivo de orgulho profissional.
O poder da Inteligência Americana e sua relação com os crimes ocorridos em função dos seus próprio erros.
O filme começa com uma tomada de imagem via satélite muito legal e com uma músca que sinceramente, gostei. A imagem "invade" o prédio da CIA e mostra a demissão arbitrária de um agente nível 3. Ligeiramente deprimido ele vai pra casa e não consegue contar à mulher da demissão, pois ela está ocupada com os preparativos para receber visitas, um casal amigo que o marido detesta, aliás eles se detestam mutuamente. Tem o agente que em 20 anos de serviço nunca usou a arma e os caras da CIA que há tempo no poder nada fazem de sério, relevante ou coerente. Enfm, o filme vai brincando com tudo aquilo que os americanos levam a sério e que nós nos acostumamos a acreditar.
Quando percebemos que estamos vendo uma comédia?
Eu percebi quando vi o Brad Pitt vigiando a casa de um suposto espião com uma inimaginável dancinha de braços, siplesmente impagável! A cena do armário, achei excelente!
Enfim, é um filme que não vai deixar lembrança, vai te dar umas breves oportuniddes de riso e talvez satisfaça aquele lado todo-americano-é-ridículo.
O que aprendemos com o filme? Que não se escolhe filmes pelo trailer, nem pelos atores bonitões; que depois de pago um ingresso ele até pode pode valer a pena, se a sua alma não for pequena...

domingo, 30 de novembro de 2008

(24/11/08 comente batima, DU)

Se vc é do RJ, a melhor opção é mesmo os cinemas do Centro nos fins de semana (pref.domingo). Tem um movimento anormal para findi, mas não é nada tão complicado. No Palácio colocam umas senhorinhas, only duas, na bilheteria e elas já esqueceram que jovem tem pressa e o filme tem hora pra começar, são muito leeeeeeeeeeeeennnnnnnnnnnntaaaaashshshshs (entende?) A sala tem 229 lugares e havia uns poucos lugares vazios, ou seja, é muito mais problema adm do que excesso de platéia. E depois, minha querida, aquele café impagável no Odeon com pão de queijo pra comentar o filme na esquina, huummmm! O chope acho caro. Se vc for de chope corra pra Cinelandia, o debate esquenta e dá pra falar alto….

(Batman, por DU)


Domingo, Cine Palácio, Rio de Janeiro. Não consigo de imediato saber se a fila para a compra de ingressos está maior que a fila para entrar na sala e a fila da pipoca não fica muito distante em tamanho também. Bastante gente, vozerio, confusão. Pela primeira vez deixei de assistir a um filme do Batman na estréia. Estrategicamente, abandonei os shopping e deixei pra vir no domingo, que segundo dica de amigos, os cinemas no Centro estão vazios. Meus amigos devem ser muito tagarelas, pois, inteligentemente todo mundo traçou a mesma estratégia, e lá estava eu enfiada no meio de uma bem comportada multidão (ainda assim multidão) e sem o ar condicionado do shopping o que me fez pensar se não havia traçado uma estratégia suicida… But, no stress, o morcego merece!

Não me preparei para ver esse filme, apenas me concentrei para o baque triste que seria ver o Heath Ledger. Não li nenhuma crítica e não perguntei a ninguém. Ao ‘Batman Begin’, assisti 4 vezes, a este precisarei multiplicar esta quantidade em função de tanta qualidade, porque é um BAT FILME! O filme é sobre o Duas Caras, tem um Coringa que será inigualável (entendo que nunca é tempo demais, no entanto mantenho: inigualável = jamais será igualado.), tem metáfora da vida de como o homem perfeito deixa de sê-lo, tem diálogos muito legais pra um filme de ação. Ação? Não só, mas também. Batman é um filme com bastante ação, muito suspense, algum drama, uma pitada de romance, que desencadeia tudo o que acontece no filme e ainda mostra que para grandes atores não existe participação discreta, leia-se, Michael Caine e Morgan Freeman. Duas horas e trinta e cinco minutos e achei pouco.

Acontecendo quase que totalmente à noite, todas as cenas são bem visíveis, inclua-se aí as de lutas, totalmente superiores às dos outros filmes. Batman se torna mais um personagem no meio de tantas excelentes atuações, mas retoma a sua veia de detetive, mostra toda a sua inteligência e mostra que não é tão dependente da criatividade genial e conhecimento tecnológico do Lucius Fox (Morgan Freeman).

Creio que seja a melhor história que já vi em filmes de super-heróis. E aí todo mundo já sabe a resenha sobre Gothan. Na cidade tomada pela corrupção e outros crimes, Batman ganha o reforço do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), o “Cavaleiro Branco” legítimo representante do povo, que luta sem máscara e sem medo de colocar a “bagaceira” do crime atrás das grades. Com quase toda a máfia na cadeia, os remanescentes em liberdade aceitam uma proposta de um louco corajoso e anarquista que não quer o poder, quer instaurar o caos na cidade, quer levar as pessoas ao seu limite.

Sim, o Coringa de Ledger é o mensageiro do caos, aquele que quer mostrar que todos tem um lado oposto ao lado bom e que, bem manipulado vem à tona e prevalece. É como se ele soubesse a moeda de troca de cada um, ele sabe os valores de cada uma daquelas boas pessoas e faz o que precisa fazer pra ver esses valores ruirem.

Estranhei dessa vez a voz de Bale, acredito que seja porque neste filme, Batman fala muito mais que no anterior, onde só falava frases curtinhas. Mas se em Begins víamos um Batman que sabia se controlar, nesse Cavaleiro das Trevas o bicho pega! O Coringa tira realmente esse Batman do sério. Na cena do interrogatório na delegacia, vemos o nível da loucura desse Coringa que me pareceu um endemoinhado com alguns trejeitos de Jack Sparrow à beira de uma crise manicomial, histriônico, absurdo, assustador e pasmem: engraçado. Nesta cena, o maluco parecia agregar à sua loucura o efeito de qualquer droga que tenha adormecido o seu couro. Tudo para o descontrole do nosso herói! E se numa cena anterior Batman repreende o promotor de que não era certo trucidar um capanga debilóide do Coringa, à frente do palhaço ele se esquece disso e “manda ver” até perceber que ele não assusta o palhaço malvado.

É realmente um grande filme, uma grande história, uma grande direção e como se não bastasse, recheado de grandes interpretações. Umas poucas bobagens passam pela nossa cabeça quando por exemplo, tentamos entender como o Coringa consegue plantar tantas bombas em tantos lugares sem que ninguém veja e como fica no hospital um paciente tão importante, mas essas questões são expulsas da nossa mente mediante o que vemos na tela.

Eu particularmente fiquei com uma sensação de que o meu herói perdeu e perdeu feio. Sossego, amor, amizade e um tanto do juízo. E não é pra menos, afinal, testemunhei como um cidadão do bem, parceiro de luta pela justiça pode transformar-se num vilão depois de perder o que mais significava pra ele, deixando-se naufragar no ódio e na vingança. Senti uma certa mensagem de desesperança, amargura nesse nascimento do Duas Caras. Ver o promotor acima de qualquer suspeita, transformar-se num feio e deformado me pareceu uma metáfora do que acontece quando perdemos o controle e nosso emocional vai para onde não consegue mais voltar. Mas que maquiagem! Só acho que ele falou bem demais, Se o Coringa queria mostrar que a verdadeira face de Harvey Dent não era a que todos viam, consegue. Aliás, neste filme, Coringa consegue quase tudo, só não consegue matar o eterno morcego e é neste filme que se conhece em profundidade a BAT ALMA do morcegão.

Em tempo: Não vi o Heath Ledger, só o Coringa estava lá…

Por Deusa Urbana, em 24 de julho de 2008. No blog Cinema é a Minha praia

(Coments: Closer Perto Demais)


Foi nesse filme que me apaixonei pelo Clive Owen.
É um filme para se rever a cada momento da vida em que não tenhamos desistido da aventura que é conviver, amar, o que acaba por muitas vezes a nos levar frente ao nosso reflexo no espelho do outro…

“Muito louco” esse filme, que pode nos trazer a reflexão que ali ninguém amava ninguém, mas todos se amavam muito…
Tal qual na vida real… Quando colocamos no amor a expectativa das carências atendidas; que no amor está implícito receber; a troca que no cotidiano acaba por tornar-se barganha e, muitas vezes, o que chamamos de amor e felicidade é o prazer não só do sexo, mas da conquista que segue como posse…

O meu mundo é lotado de de Annas, pessoas que não ficam sozinhas, precisam de um par constante mesmo que tenham que trocá-los constantemente (o filme começa com ela recém-separada, permitindo-se ser atraída pelo Dan e logo depois casada co Larry).

Conheço muitos Larrys, capazes de relacionamentos superficiais on line, que arriscam por trazê-los pro mundo físico (quando ele encontra a Anna, supreende-se que ela seja tão bonita).

A porção Dan é a que está mais presente no nosso mundo, aquela coisa de testar o sex apeal, de insistir numa paquera, o “não” parece estimulá-lo enquanto ele não adquiriu seu objeto de desejo. Ao meu ver ele é a versão masculina da Anna, começa tendo uma namorada de nome Ruth, vai morar com Alice, se apropria da sua vida escrevendo um livro baseado nela e enquanto isso mantém um caso com Anna, que por sua vez, sabendo-o comprometido, sapeca-lhe um beijo, seduz como se fosse apenas seduzida e segue casando-se com Larry.
Entendo, às vezes é difícil escolher, às vezes o atendimento às nossas necessidades está diluído em pessoas diferentes…

Da 1ª vez que vi este filme, não tinha percebido que Alice era a grande invejada da trama, embora não tenha sido a escolhida. Dessa vez a vi como aquelas personagens dos contos de fadas que esperam pelo príncipe encantado, ainda que não espere sentada, ativamente ela espera.

Ela poderia amar Dan por toda a vida, se ele soubesse ou tivesse aprendido conhecê-la, entender que ela realmente o amava, que muitas vezes estar fisicamente com alguém, não significa estar amando alguém, alguém que pense assim pode ser striper sem trauma, sem culpa e sem traumatizar. Alice não tinha culpa e vivia bem com isso. Dan poderia ter percebido que a única ambição de Alice/Jane era ser amada com carinho e verdade. Ela nunca trazia bagagem e acostumada que era a separar razões e emoções, desta vez não traz sequer um nome. E se Dan viveu com ela tanto tempo sem sequer descobrir seu verdadeiro nome, como poderia conhecer sobre o seu amor? Interessado que estava em ter exclusividade sexual, entretido na competição com Larry, ele não olhava para nada que não fosse ele mesmo que se refletia em… Anna(?)

Sim, Dan ama Anna que o ama também! Mas este é um filme sobre as contradições que nós criamos, sobre as dificuldades que sobrepomos ao que já não é tão fácil, ainda que seja simples. Sobre a nossa falta de coragem de encarar nossas fragilidades, defeitos e dificuldades de escolha (e quem sabe, por que não, buscar terapia?).
É ai que Larry deita e rola, ou melhor, deita e dorme.
***
Larry merecia um “capítulo” à parte.
Qual a mulher que nunca trombou com um homem desses ditos experientes, que seduz, conquista, briga por sua posse, joga com a sua culpa (pra ele mulher boa é a culpada que enquanto remói as culpas não sai de casa) pra dormir no final?
Sem falar que, ele pecebendo a natureza depressiva da pobre coitada, acha que fazer feliz é fazer com que ela permaneça infeliz (assim é se lhe parece?). Repito “muito louco”, tipo o masoquista implorando ao sádico que pare de torturá-lo….
Grande filme, agendei pra rever ano que vem.
***
Esse blog me faz feliz demais! Onde poderia escrever essas coisas, que pasme, penso?

Em: 28 dejulho de2008 - no blog Cinema é aMinha Praia

(Coments: Um Beijo Roubado)


Esse filme me prendeu já nos primeiros diálogos, tipo uma identificação imediata. Muito fofo!
Achei que a Elisabeth, aceitou provar a torta blueberry porque ela iria para o lixo sem nunca ter sido tocada. Bem legal essa colocação de que não há nada de errado com aquilo que não é escolhido, como muitas vezes o que é escolhido não tem nada demais. Mas bem que pensei, nunca na minha vida quero ser a torta não escolhida, embora, prefira sempre eu mesma escolher…

Achei um pouqunho arrastadinho em alguns momentos, mas não gostei menos por isso. Gostei muito desse filme que a mim pareceu falar da necessidade que temos de nos perder de nós, para nos achar.
Do quanto é difúicil nos desapegarmos daquilo que imaginamos ser nossa, vida, nossa salvação, nosso amor. Muito tocante a situação de um casal quando o amor acaba de um lado, sendo substituido por um outro sentimento que a parte abandonada não entende, não respeita, não aceita. Mesmo as boas criaturas são capazes de atrocidades amorosas.
Mas o que me enterneceu foi perceber que mesmo alguem sensível, observador e com uma cabeça eternamente em movimento pode ser sossegado e permanecer o mesmo e no memso lugar. Eu que sempre associei conhecimentos assimilados com inquietação e mudança. E a constatação do Jeremy de que não se pode mais fumar em lugar algum…

Lella:

"Oi Rozzi!
Além da torta ir parar no lixo, creio que também ela sentia ‘fome’. O filme para mim evoca o alimentar uma relação. Mas ai, depende do que? Como na canção: Você tem fome de que?

Mas também uma relação não deve ser uma via de mão única. É preciso que ambos estejam motivados para que ela prossiga. Ceder, sempre, só de um lado, em algum ponto vai haver cobranças. E muitas das vezes, pesadas.

O Jeremy não é um cara ambicioso. Seu Café, já dava a ele chance de mostrar o seu talento"

Rozzi:
Sim! Mas a inquietação que eu falo traz a ambição que ele tinha, uma sede de evolução, um amadurecimento. O que quis dizer que sou uma pessoa que se mudo me mudo e achava uma coisa inerente a outra e percebi que não necessariamente…. Entendeu?
Talvez esse seja o grande lance do filme… Conhecer as diferenças do outro, entendê-las, sem necessariamente praticá-las embora de certa forma delas participemos…

Veja: O Jeremy, queria ser atleta, viajar, quebrar recordes,ganhar premios. Acabou por criar raizes, fixou-se e a principio parecia parado no tempo, um guardião de chaves (e chaves eram dores, desiluões, fim de romances) inclusive a dele próprio.

No entanto, era um cara que sabia se mobilizar pelo que queria. Capaz de roubar um beijo, de enrolar um cigarro e tê-lo sempre à espera, de procurar por telefone todas Elizabetes em restaurantes de Detroit(? esqueci… mas não importa).
Mas é a partir desse beijo roubado que ele se movimenta, então, desde o ultimo “toco”, nada de interessante acontecia na sua vida, nada que valesse a pena algum esforço, a não ser a rotina dos sabores (isso é nome de poema rsrssr).

Ele tinha um interior em movimento, observando, vendo, vivendo, só o seu externo parecia estar parado, como constatou a ex namorada que o visitou durante a viagem da Liz e depois dessa visita as chaves desaparecem, ele muda, esconde a fita e refaz o filme desta vez consentidamente (viagem minha, ok?)

No diálogo final com a Liz, por sinal eu achei primoroso! Leslie diz que ela precisa aprender não confiar e Liz responde que Leslie precisa aprender a confiar.

Não são atitudes, posturas, pareceres, diferentes que separam… Diante de uma desilusão amorosa, Liz viaja e Jeremy fica, cada um a seu modo conseguindo limpar sua área, juntar seus cacos pra um recomeço. Isso é divinoooooo!

Eu achei esse filme de uma riqueza esculachante! Vou ver de novo sim. Até pq pretendo montar um almanaque de desilusão amorosa com arranhões reduzidos…

Qto ao talento do Jeremy, do jeito que é fofo nem precisava saber cozinhar…E ainda beija bem!

Em 22 de julho de 2008 - Comentarios no bog Cinema é a Minha Praia

(Coments: O Escafandro e a Borboleta)



Vi na quarta-feira o “Escafandro e a Borboleta”. Aqui no Rio, no Odeon. Não há multiplex que me tire o prazer de ir ao um “cine rua”. Ir ao Odeon, é fazer parte do nosso próprio filme. Estou meio zonza, ainda.

Não sei exatamente o que lhe dizer. Não assisto filmes com olhos críticos, eu sou uma pessoa que acha que “cinema é a melhor diversão”. Não dispenso o papo com os amigos depois da sessão e regamos os comentarios e opiniões com um chopinho…

Diferentemente do que eu imaginei, não chorei nem me comiserei. Digo que sufoquei no ângulo restrito do olho esquerdo de Bauby. Me angustiei com a vista embaçada e a escolha de cada letra de cada palavra.
Estou mais pro negão voluntário, sem nenhum jeito pra coisa.
Não deu pra comparar com outros filmes com temas similares, esse cara era um cara que queria viver.
Fomos ao extremos de uma situação pra perceber que a vida é feita de poucas coisas pequenas que valem realmente a pena e não a vemos enquanto tempos tantas outras coisas importantes pra fazer. A 1ª comemoração do dia dos pais…
E tudo começou quando ele decidiu deixar de ter pena de si mesmo. Simplesmente foi em frente, fazendo o que tinha pra fazer, da maneira como poderia ser feito. Não se abrigou em nenhuma religião e achei interessante isso, ele segue vida em frente, passando pelos obstáculos, cumprindo tarefas. Continuou simplesmente sendo a mesma pessoa, porque talvez, o que sempre o sustentara e ele não percebia era a porção sonho e imaginação que ele tinha… Criatividade, bom humor.
Uma tragédia e ele fala com tanta simplicidade, as randes descobertas que elvaram a humanidade foram simples: Uma roda, uma fogueira e agora piscadelas

Em:11 de julho de 2008 - cmentpario no blog Cinema é a Minha Praia

domingo, 13 de julho de 2008

(PEQUENOS PECADOS)


Essa coisa de pôr o talento a serviço da grana do sem imaginação mas com talento pra ganhar dinheiro é dose!
Tem gente que é bom pra caramba no que faz e tem gente que além de ser bom dá uma sorte danada!
Esse é o crivo do destino que abençoa aqueles que terão sucesso.
Eu nunca acreditei em sorte, eu achava que bastava ter talento, trabalhar muito e o resultado positivo, em sucesso, fama ou grana seria conseqüência.
Engane-me!
Percebi isso depois que vi o filme Match Point.
Vc viu esse filme? Veja.
Basta um segundo de sorte pra catapultar qualquer FDP ao sucesso e, abre parênteses, tem gente que é FDP mas cria oportunidades ou seria exatamente por isso que são uns FDP?
Não sei. Veja o filme assim que der. Tá na locadora, tá na net pra baixar. Eu só baixo filme estrangeiro, mas sou obrigada a confessar que comprei o Tropa de Elite Pirata e quer saber? Não me arrependo e ainda vou ver no cinema.
Pequeno pecado como voto na eleição, o meu foi apenas um, mas meus amigos me culpam até hoje pelas barbaridades gramaticais e sem-noção do Lula... Quer saber? Ultimamente me culpo também, porque foi um erro pela insistência e na ocasião eu nem percebi que se eu não tivesse votado nele, nada aconteceria de diferente. Uma gota no oceano polui o continente? Polui, sim... Então não importa a quantos filmes nacionais eu vi, nem quantos amigos arrastei para o cinema, importa que eu comprei uma mídia pirata de um filme roubado de um estúdio de dublagem e declarei que votaria no Lula. Poderia ter feito, só não deveria ter contado... Isso já deu filme também, chama Pecados íntimos. Muito bom, tanto o filme quanto pecar...
E o que você tem a ver com isso?
Fico imaginando uma pessoa e seu trabalho com duração prevista de 30 dias, sem pode enrolar, fugir tomar um café porque tem prazo para entregar. Penso que "apanho" para conviver com os prazos.
Tenho alma de artista e artista tinha que ser intuitivo, sem compromisso nos moldes antigos daqueles que morriam de tuberculose como os poetas , loucos como Van Gogh ou os dois como Mozart.
Acho que essa vida de artista regrada e tecnológica é um saco!
Hoje não vou trabalhar, vou pra praia e amanhã tudo vai sair como mágica do meu desktop...
19, setembro 2007

sábado, 17 de maio de 2008

(Zona do Crime)



Ontem fui ao cinema...
Eu juro que queria ver "Homem de Ferro" ou Speed Racer", talvez eu esteja num "Eterno Retorno"(Friedrich Nietzsche)vai saber...
O fato é que me vi assistindo "Zona do Crime"...
Não vou negar que Carlos Bardem me atraiu.
Afirmo que outra atração é o filme estar ali pertinho e ser uma produção latina que acompanho e em algum canto da minha cabeça comparo, sem me dar conta, com os nossos nacionais.
Sim, eu sei que somos latinos a despeito da língua, até gostaria de ser um pouco mais andina, mas percebo que ninguém faz filmes como fazemos-isso, nem no bom nem no mal sentido, apenas no sentido que brasileiro tem jeito único de imprimir a película e gravar vídeos...
Tenho sempre a sensação de estar diante de uma doce e maravilhosa irresponsabilidade quando vejo moverem-se nas telas as nossas carinhas tão conhecidas e as que não são acabam por assim ficar. Mas a grande responsabilidade do meu ingresso computar para o histórico de audiência do filme é das malditas resenhas!

"Zona do Crime" (La Zona), o filme é bom, é ótimo. Mas dói. Era um filme mexicano e logo na 1ª cena que lembro, vejo... Cercada de um muro presidial dotado de concertina e tudo, uma favela...
E eu lembrei de um certo nosso ex-prefeito cujo sobrenome era um título de nobreza que aventou a possibilidade de aqui no RJ, contruir-se muros que separassem as favelas dos condomínios.Você lê Allan Kardec? Pois é. Imagina a cara que fiquei no escurinho do cinema.
Fala-se tanto de tanta coisa que me pareceu perceber em mim de repente que favela é um produto made in brazil... Como que naquele filme mexicanos tinha uma favela???!!!!

PAUSA PARA O TRABALHO - DEPOIS EU CONTINUO

O cenário me pareceu por demais familiar. Surpresas e choques não param aí. De um lado do muro e concertinas um condomínio de casas de luxo. Daquelas que só vemos na Barra ou (Malibu?).
Um assalto frustrado por uma velhinha aparentemente miliciana deságua em vários crimes de morte porque os outros crimes vão se sucedendo ao longo do filme que leva nossa emoção por uma montanha-russa.

Tem morte acidental com direito a arrependimento, tem morte proposital, suborno emocional, mãe da favela querendo o corpo do filho, despertar de consciência, adolescente babaca, diferença social entre adolescentes,truculência,questionamento a respeito de se armar cidadãos,indecisão, decisão,orgulho, vexame, amizade, senso de justiça e muita, muita sensação de impotência.
Correria, mentira, arrogância, manipulação política, desconfiança, autocracia, espancamento de mulheres e um linchamento.

Os seres em grupo protegem a si, ao seu status quo, seu espaço e seu orgulho. Existe uma polícia interna, particular do condomínio,seria de bom tom não confundi-la com milícia e não é apenas uma guarda particular. E para que um homem idoso que, num ato de legítima defesa mata um policial não seja punido e, mais que isso para que a polícia não "interfira" no bom funcionamento da ZONA (como é chamado o condomínio)corpos são ensacados, jogados no lixo, a viúva enganada e pressionada a mentir.

Enfim, o filme tem tudo que os jornais trazem para o nosso café da manhã, aquilo que quando não lemos, não conseguimos nos furtar de ouvir nos ônibus ou na pausa do café, só que organizado, numa ordem a dizer que cada um tem um lado seu para defender e e quem está do lado mais confortável vai fazer o que estiver ao seu alcance para defendê-lo ainda mais.
O filme levanta questões se você for questionador, se você é pessimista a mensagem que ele deixa vai te satisfazer. Se você é otimista, precisará vê-lo mais de uma vez e usar a imaginação para fazer o filme que diretor e roteirista não fizeram.BR>Eu que só queria um filme que me distraisse os neurônios, tive que ir pro boteco.

Poderia dizer que qualquer semelhança com fatos e locais brasileiros é mera coincidência, não fosse o poder do dinheiro, a ineficiência das armas, a humilhação da pobreza exatamente as mesmas coisas em qualquer parte.
Poderia dizer que aquelas pessoas são apenas personagens, não reconhecesse neles alguns daqueles que transitam muito perto e uns tantos que freqüentam minha TV.
Não percebesse tão familiarmente o egosísmo do "isso não tem nada a ver comigo" e a idéia que certas coisas só acontecem com outros.
Poderia dizer que há saída...Assim, por ter esperança que fosse apenas um filme, torci o tempo todo pelo pequeno, frágil, magro e assustado herói.Num dado momento da narrativa percebi que só um milagre poderia salvá-lo, mas sei que milagres ocorrem em superproduções de superpaíses, nunca num filme mexicano...

Valores como amizade lavam nossa alma em determinado momento.
A inocência do jovem que crê na justiça e sua tentativa desesperada de salvar um novo e coitado amigo que culmina com a sua morte bárbara, nas mãos de pessoas cuja a ganância de manter o que têm a despeito do que são e o que fizeram não permite que percebam que se trta de uma criança e, assustada.
Eles precisam de um culpado mesmo que este seja inocente...
Decepções da descoberta que o pai não é herói, muito pelo contrário e amargura com que um jovem pode enxergar suas oportunidades não são maiores que sua ética, seu brio, sua sensibilidade, sua solidariedade e uma correção que confirmam que o homem é fruto do meio, pero no mucho...
PAUSA PARA DORMIR - NÃO SEI SE CONTINUO...

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Fui ao cinema, até aí, novidade nenhuma, vou toda semana...
A 1ª vez que fui ao cinema vi "Meu Pé de Laranja Lima" no Cine Regência em pleno Largo de Cascadura. Um cinemaço, foi o que me pareceu naquela idade. E o filme que filmaço! Saí de lá entre o encanto e a perplexidade, apoplética!

O ator era um menino loiro e lindo, mas tinha uma vilã que nenhuma criança gostaria de ter por perto, era Jandira, vivida por Eva Wilma. Do outro lado do time, uma atriz de rosto doce vivia uma personagem igualmente doce e boa mas não forte suficiente para evitar as maldades da Jandira. Lembro ainda do Aurélio Teixeira que fazia um tipo a princípio mal-humorado que se transforma em amigo do guri loiro,o Zezé, que fugia de uma realidade dura e incompreensível ao montar num galho de um certo pé de laranja, este era o seu cavalo que o levava daquele lugar triste onde os bons não tinham defesa...

Não lembro quantos anos eu tinha...
Não lembro ao certo o nome da personagem boazinha, recordo vagamente que era um nome esquisito...
Mas lembro do pé de laranja lima, lembro do desfecho cruel do filme, Da morte do portuga mal-humorado bem quando ele se torna bonzinho e faz o Zezé feliz.
Lembro da vilã com nome e tudo e recordo ainda que a minha afinidade veio imediata, substituindo o pé de laranja por um cachorro chamado Big. Era o Big que me levava para longe das enormes torturas de, como menina, já ter que aprender a lavar louça, "passar uma vassoura na casa" e o pior de tudo: estudar Matemática!
É, minha infância não foi mole não!
A casa da minha infância também tinha o time dos bons e maus e assim sendo, era o Big que tinha o dom de me transformar em herói. Ele ouvia meus problemas e sinalizava com cabeça mansamente esquerda/direita com um olhar que dizia:
-"calma! Isso passa. Eu entendo. Mas você vai crescer logo..."
Bem, depois deste cinema muitos e muitos vieram, aqui e em outros países. Entrava nos cinemas mesmo sem ter legenda em português, porque cinema é muito mais que um filme... Ate porque, em certas situações não basta entender o vocabulário para compreender... Terminada a sessão as pessoas saíam com opiniões totalmente diferentes sobre o único filme exibido e a minha era mais uma, independentemente de ter entendido o idioma, compreendido o filme ou não...
A gente vive assim, todos olham os mesmos fatos mas uma vez ultrapassadas nossas retinas, a história muda.Vemos todos coisas mesmas que nunca são iguais...

PAUSA PARA O TRABALHO - CONTINUO DEPOIS