domingo, 1 de novembro de 2009

Gostei!

Década de 70

TEXTO 4

Nessa vida em que sou meu sono
Eu não sou meu dono
Quem sou é que me ignoro
E vive através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que outrora tive numa só vida
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo
Mas minha cor vem do meu alto céu
E só me encontro quando de mim fujo

Poema sem título de Fernando Pessoa
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971 e Diamante Verdadeiro - 1999

TEXTO 5
Eu sou apaixonada por samba de roda e por carnaval.
Na Bahia tem um compositor chamado Batatinha que é um cara maravilhoso. Ele só compõe para o carnaval, só faz samba para o carnaval. São sambas lindíssimos e para mim ele faz tudo ao contrário, na minha opinião. Que carnaval é uma coisa alegre, pra cima, a gente se diverte, brinca e tal e os sambas do batata são tristíssimos, tem uma melodia maravilhosa, parecida com melodia de blue e as letras do batata são sensacionais.

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971


TEXTO 6
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
mas era outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as cores que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar

Texto Poema do Menino Jesus de Alberto Caieiro
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971 e Maricotinha Ao vivo - 2002


TEXTO 7
Mestre meu mestre querido
A quem uma coisa feriu
Me doeu, me perturbou
Seguro como o sol
Fazendo seu dia involuntariamente
Natural como o dia mostrando tudo
Meu mestre meu coração não aprendeu a tua serenidade
Meu coração não aprendeu nada
Meu coração não é nada
Meu coração está perdido
E depois porque é que me ensinaste
A clareza da vista
Se não podias me ensinar
A ter a alma com que a ver clara
E por que é que me chamaste
Para o alto dos montes
Se eu criança da cidades do vale
Não sabia respirar.

Texto de Fernando Pessoa
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971


TEXTO 8
Um encontro de dois
Olho a olho
Cara a cara
E quando estiveres perto
Eu arrancarei teus olhos
E colocarei no lugar dos meus
E tu arrancarás meus olhos
E colocarás no lugar dos teus
Então eu te olharei com teus olhos
E tu me olharás com os meus.

Texto de Moreno
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971


TEXTO 9
E depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma hora da madrugada em desespero...
Eis que as três horas da madrugada eu me acordei
E me encontrei
Simplesmente isso:
Eu me encontrei calma, alegre
Plenitude sem fulminação
Simplesmente isso
Eu sou eu
E você é você
É lindo, é vasto
Vai durar
Eu sei mais ou menos
O que vou fazer em seguida
Mas por enquanto
Olha pra mim e me ama
Não
Tu olhas pra ti e te amas
É o que está certo.

Texto de Clarice Lispector
Extraído do Disco Rosa dos Ventos - 1971

TEXTO 10
Nunca conheci quem tivesse
Levado porrada.
Todos os meus conhecidos
Têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles,
tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes
irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes
não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes
tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés
publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco,
mesquinho, submisso e arrogante,
Eu verifico que não tenho
Par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço
E que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo,
Nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe -
Todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de
Alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado,
Mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência,
Mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal,
Se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo
Que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil
E errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo
Sem ter sido traído,
Como posso eu falar com
Os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Trecho do texto Poema em Linha Reta de Álvaro de Campos
Extraído do Programa de Espetáculo do Drama - Luz da Noite - 1973


TEXTO 11
Eu sei que atrás deste
Universo de aparências
Das diferenças todas
A esperança é preservada
Nas xícaras sujas de ontem
O café de cada manhã é servido
Mas existe uma palavra
Que eu não suporto ouvir
E dela não me conformo
Eu acredito em tudo,
Mas eu quero você agora
Eu te amo pelas tuas faltas,
Pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes
Pelas tuas loucuras todas, minha vida
Eu amo as tuas mãos
Mesmo que por causa delas
Eu não saiba o que fazer das minhas
Amo teu jogo triste
As tuas roupas sujas é aqui
Em casa que eu lavo
Eu amo a tua alegria
Mesmo e fora de si
Eu te amo pela tua essência
Até pelo que você podia ter sido
Se a maré das circunstâncias
Não tivesse te banhado nas águas do equívoco
Eu te amo nas horas infernais
E na vida sem tempo quando sozinha
Eu bordo mais uma toalha de fim de semana
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
E pelos teus sonhos inúteis
Amo teu sistema de vida e morte
Eu te amo pelo que se repete
E que nunca é igual
Eu te amo pelas tuas entradas,
Saídas e bandeiras
Eu te amo desde os teus pés
Até o que te escapa
Eu te amo de alma para alma
E mais que as palavras
Ainda que seja através delas
Que eu me defenda quando digo que te amo
Mais que o silêncio dos momentos
Difíceis quando o próprio amor vacila

Texto Quando o Amor Vacila Autor Desconhecido
Extraído do Programa de Espetáculo do Drama - Luz da Noite - 1973
E do Disco Maricotinha ao Vivo - 2002


TEXTO 12
Eu não sou apenas essa hora
Em que me vês precipitada
Eu não sou senão uma de minhas bocas
Eu sou uma árvore ante o meu cenário.

Reserva de Domínio
Extraído do Disco Drama 3° Ato - 1973


TEXTO 13
Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora. Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio. Me atirava do alto na certeza que alguém segurava-me as mãos não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo, tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encostada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre.
Era outra vez outro parque, outro circo, ciganos e patinadores. O circo chegou a cidade, era uma tarde de sonhos e eu corri até lá. Os artistas se preparavam nos bastidores para começar o espetáculo e eu entrei no meio deles e falei que queria ser trapezista. Veio falar comigo uma moça do circo que era a domadora, era uma moça bonita, mas era uma moça forte, era uma moçona mesmo. Me olhou, riu um pouco e disse que era muito difícil mas que nada era impossível. Depois veio o palhaço Polly, veio o Topsy, veio Diderlang que parecia um príncipe, o dono do circo, as crianças, o público... De repente apareceu uma luz lá no alto e todo mundo ficou olhando, a lona do circo tinha sumido e o que eu via era a estrela Dalva no céu aberto.
Quando eu cansei de ficar olhando pro alto e fui olhar pras pessoas, só aí eu vi que estava sozinha.

Texto de Antônio Bivar
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973


TEXTO 14
Enquanto me permite o destino
Eu vou sendo os personagens
Que eu criei
Mas na vida tem sempre aquele
Que me indica
A ilusão como caminho.

Texto de Isabel Câmara
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973

TEXTO 15
Dizem que há mundos lá fora
Que nem nos sonhos eu vi
Mas que importa todo mundo
Se o mundo todo é aqui.

Reserva de Domínio
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973

TEXTO 16
Se não fosse esse nosso
Imenso e difícil amor
Não fosse esse abismo entre nós
Eu te convidava a dançar
O meu ultimo bolero.

Texto de Antônio Bivar
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973


TEXTO 17
Eu conheço de perto a loucura
Ela mora no meu sangue
E me conta sempre com voz mansa
Que o amor é o sol
Dos que se prezam.

Texto de Isabel Câmara
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973

TEXTO 18
Mora comigo na minha casa
Um rapaz que eu amo
Aquilo que ele não me diz porque não sabe
Vai me dizendo com o seu corpo
Que dança pra mim
Ele me adora e eu vejo através de seus olhos
O menino que aperta o gatilho do coração
Sem saber o nome do que pratica
Ele me adora e eu gratifico
Só com olhos que eu vejo
Corto todas as cebolas da casa
Arrasto os móveis, incenso
Ele tem um medo de dizer que me ama
E me aperta a mão
E me chama de amiga.

Texto de Luiz Carlos Lacerda
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973

TEXTO 19
Eu quero ser sempre aquilo
Com quem eu simpatizo
E eu torno-me sempre
Mais cedo ou mais tarde
Aquilo com quem eu simpatizo
E eu simpatizo com tudo
São simpáticos os homens superiores
Porque são superiores
E são simpáticos os homens inferiores
Porque são superiores também
Porque ser inferior é diferente de ser superior
E isso é uma superioridade
A certos momentos de visão
Eu simpatizo com alguns homens
Pelas suas qualidades de caráter
Com outros eu simpatizo
Pela falta dessas mesmas qualidades
E com outros ainda eu simpatizo por simpatizar com eles
Como eu sou rei
Absoluto na minha simpatia
Basta que ela exista
Para que tenha razão de ser.

Texto de Fernando Pessoa
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973

TEXTO 20
Pra onde vai minha vida
E quem a leva?
Por que eu faço sempre o que eu não queria?
Que destino contínuo se passa em mim e na trévoa
Que parte de mim
Que eu desconheço é que me guia.

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Disco Drama 3° Ato - 1973

TEXTO 21
Eu vou tentar captar o instante já
Que de tão fugitivo não é mais
Porque a tornou-se um novo instante
Cada coisa tem um instante em que ela é
Eu quero apossar-me do é da coisa
Eu tenho um pouco de medo
Medo ainda de me entregar
Pois o próximo instante é desconhecido

Texto de Clarice Lispector
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973


TEXTO 22
Eu gastei tudo que eu tinha
A ilusão que me mantinha
Só no palco eu era rainha
Despiu-se o reino acabou

Texto de Fernando Pessoa
Extraído do Disco Drama 3°Ato - 1973


TEXTO 23
Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado
Deixasse o caminho errado
Por o que à princesa vem.
A princesa adormecida
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E Orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de Hera.
Longe o infante, esforçado
Sem saber que intuito tem
Rompe o caminho falado.
Ele dela é ignorado.
Ela pra ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro
Chega onde em sono ela mora.
E, indo tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra a hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.

Texto Eros e Psique de Fernando Pessoa
Extraído do Programa de Espetáculo do show e
Disco Pássaro da Manhã - 1977


TEXTO 24
O pássaro eriça-se no frio mas o sol secará suas penas.
O novo dia traz novas possibilidades.
O pássaro, antes de seu vôo,
Não imagina como atravessar o oceano.

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977


TEXTO 25
Um peso está dentro de nós.
Canta! Uma canção amedronta os lobos.
É melhor para os viajantes que cantem.
Canta uma canção secreta,
E não cede ao sono.

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977


TEXTO 26
Estende teu braço através do abismo.
Sobre o precipício não há medo.
Mas abomináveis para o espírito são os confinamentos
De quarto e tapete.
Dentro de um pequeno quarto,
Sobre um pequeno tapete
Tu abandonaste tua antiga pele.

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 27
Minha boca ficará muda e serei incapaz de compreender o escudo da misericórdia,
Se o amor se for de mim.
Estarei preso a terra pela manhã, se minhas asas se fecharem durante a noite.
E aí, o que estenderei eu, para saudar o sol em sua chegada?

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 28
Eu vou lhe contar que você não me conhece. Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você. Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é, porque eu não sou meu nome e você não é ninguém, o jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja à mim. Eu me dispo da notícia, e a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato, tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste.

Texto de Fauzi Arap
Extraído do Programa de Espetáculo do show e
Disco Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 29
Eu fui obrigada a conhecer o avesso do mundo. Pra sobreviver à dor de não entender o que tinha acontecido,
À dor de te perder, tudo. Eu tive que nascer pra vida da cidade. Não a vida social, mas a vida da cidade e de seus cantos esquecidos. O lixo do lixo. Eu me perdia pela cidade, anônima, e esse anonimato era um vício. Eu não Ter meu nome me absolvia de tudo. Eu me embebedava do desejo cego por qualquer um... E assim, eu me iniciei na solidão coletiva dos que não têm nada a perder. Mas, talvez, eu tenha até mais que os outros a tentação de corresponder ao bem. Uma tentação tão grande e absoluta, um desejo de corresponder de forma tão total, que paradoxalmente me tornou e me torna escrava cega de minha escuridão. E quando essa escuridão me possui, eu até a confundo com uma espécie de bem-aventurança.

Texto de Fauzi Arap
Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 30
Eu quero ser possuída por você,
Pelo seu corpo,
Pela sua proteção
e pelo seu sangue.
Me ama,
Eu quero que você me ame e
fique eternamente me amando dentro de mim,
com sua carne e o seu amor.
Eternamente, infinitamente dentro de mim,
me envolvendo,
me decifrando,
me consumindo e me revelando.
Como uma tarde dentro do elevador no verão
voltando da praia, e você me abraçou e eu te abracei.
Quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo,
mais sobrava só o desejo e mais eu te
Queria sem palavras e sem pensamentos.
A vida inteira resumida só no desejo da tua boca
dizendo o meu nome, da tua mão conduzindo a minha mão,
Do teu corpo revelando o meu corpo como se o mundo fosse pela primeira vez.
Você, meu ponto de referência nessa cidade !

Texto eu quero ser possuída por você de José Vicente
Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977
E Disco Maricotinha ao Vivo -2002

TEXTO 31
Os pássaros não se recordam de suas ações e das ações dos outros. Por isso, eles retornam aos antigos lugares.

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977


TEXTO 32
Necessita-se de chave para abrir uma prisão.
Mas as asas elevarão para a luz
Cada chave pertence a sua prisão
Mas aproxima-se o tempo em que os homens abominarão a chave.

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 33
Senhor, o pássaro da felicidade cantará em minha janela.
Não compreenderei suas palavras, mas ousarei. Na hora matutina, compreenderei uma palavra, e meu coração cantará: Absolvido, absolvido, absolvido. Será possível que por apenas uma palavra, por apenas um carinho, possa eu ser absolvido por ti?

Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 34
Eu sei de muita coisa que não vi.
Vocês também, eu sei.
Não se pode dar provas da existência daquilo que é mais verdadeiro
O único jeito é acreditar. E acreditar chorando.
Esse show é feito em estado de emergência e de calamidade pública.
Trata-se de um show inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta essa que eu espero que alguém no mundo me dê.
É um show em tecnicolor, para Ter algum luxo que por Deus-que eu também preciso.
Amém - para todos nós.

Texto de Clarice Lispector.
Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977
e do disco Pássaro da Manhã - 1977

TEXTO 35
Toda vez que eu faço um espetáculo de teatro, um show de teatro
Eu tenho um repertório que eu obedeço desde a estréia até o último dia da temporada.
E normalmente quando eu volto pra minha casa nos meus dias de folga
Eu sempre me pego com o violão cantando músicas não incluídas no repertório de cena
Normalmente são músicas muito românticas, muito apaixonadas
Apenas ligadas ao coração
Essas músicas sempre me são lembradas através de gravações da extraordinária
Dalva de Oliveira. A Dalva tinha a coragem, o jeito de cantar no palco
O que até então eu só tinha coragem e jeito de cantar dentro da minha casa.

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Programa de Espetáculo do show Pássaro da Manhã - 1977


TEXTO 36
Pra onde vai minha vida
E quem a leva?
Por que eu faço sempre o que eu não queria?
Que destino contínuo se passa em mim e na trévoa
Que parte de mim
Que eu desconheço é que me guia.

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Programa de Espetáculo do show
Maria Bethânia e Caetano Velloso - 1978


TEXTO 37
Quando cheguei aqui,
o Rio de Janeiro era, para mim,
Copacabana com seu colar de pérolas.
Eu cheguei numa tarde de muitos relâmpagos
E muitos trovões. E cantei pela primeira
Vez nesta cidade numa noite de verão.
Uma noite quente e gostosa como esta.
E mesmo que o colar tenha se desfeito
E as pérolas se desgastado,
Nunca se desmanchou em mim
O fascínio das noites cariocas.

Texto de Maria Bethânia e Wally Salomão
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979


TEXTO 38
Amar é iluminar a dor!

Texto de Chico Buarque
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979


TEXTO 39
Cinco são as condições do pássaro solitário.
A primeira, voar ao mais alto;
A Segunda não querer companhia
Nem sequer da natureza;
A terceira por o bico no ar;
A Quarta não Ter cor determinada;
A quinta CANTAR suavemente.

Texto de San Juan de La Cruz - tradução de Antônio Cícero/ Wally/Alex
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979


TEXTO 40
Minha mãe sempre me diz,
Quando chega o verão:
Formiga quando quer
Se perder cria asa

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

TEXTO 41
Uma música se tornou um marco
De uma virada muito significativa
Na minha carreira.
Não precisei descer o nível.
Foi a bordo de uma canção de
Chico Buarque de Hollanda,
De letra sofisticadíssima,
Que quebrei a barreira do som:
Passei de cantora faixa FM
A ser tocada nas rádios AM

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979


TEXTO 42
Aqui neste mesmo palco eu cantei com ele.
De lá para cá, só fazemos crescer nossa amizade.
Nos últimos anos, perdi grandes amigos.
Um deles, particularmente Ter desaparecido é,
Para mim, um buraco no mundo.

Texto de Maria Bethânia
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

TEXTO 43
Andarei no ar.
Estarei daqui a cem anos,
No outro lado do mundo,
Levantando populações...
Me desespero porque não posso
estar presente a todos os atos da vida.
O mundo samba na minha cabeça.
Estarei em todos os nascimentos
E em todas as agonias.
Na cabeça dos artistas, dos revolucionários.

Texto de Murilo Mendes
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979


TEXTO 44
Me insinuarei nos quatro cantos do mundo,
Vibrarei nos canjerês do mar,
Almas desesperadas,
Eu vos amo.
Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
Os que brincam de cabra-cega com a vida,
Eu odeio os homens práticos

Texto de Murilo Mendes
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

TEXTO 45
Ah...Noite de verão...passa tão depressa.
Bem curto é o intervalo entre o pôr-de-sol
E o romper do dia. Gozemos enquanto
A noite dura e quando o sol raiar.
MEU BEM alonguemos de prazeres o dia curto

Texto de Maria Bethânia e Wally Salomão
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

TEXTO 46
Minha voz não pode muito mas gritar eu bem gritei...

Texto de Bertold Bretch - tradução de Augusto Boal
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

TEXTO 47
Eu sei o que posso. Com certeza.
O cio da terra manifesta seu poder,
Penetra pelos meus poros,
Corre nas minhas veias,
Vibra na luz dos meus olhos,
Percorre meu corpo inteiro,
Toma minha garganta emprestada
E se faz OUVIR através de mim
E de meus colegas: cantores,
Cantoras, músicos, poetas,
Todos nós que tecemos
Em conjunto uma inspirada
Colmeia de sinais.
Eu quero MAIS. SIM.
Eu quero é MEL.

Texto de Wally Salomão
Extraído do Programa de Espetáculo do show Mel - 1979

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

(Medo)

Uma dor fina, funda doída... Faz tempo!
Quem rói unhas sabe,
que é um prazer bobo,
sabe que só faz mal...
Até que sangra e dói.
Há coisas que são:
é caminho pra dor,
e não tiramos o pé.
Não mudamos a rota.
Não diminuímos o passo.
O abismo,como a altura, atraí.
O único medo que não seduz
é o medo de ter medo.

sábado, 5 de setembro de 2009

(À DERIVA - direção e roteiro de Heitor Dhalia)

À Deriva tem uma riqueza de detalhes digna de uma reconstituição arqueológica e também escarafuncha nossa alma através do drama alheio, ao nos colocar frente à uma realidade que de uma forma ou de outra conhecemos, seja por termos vivido, seja por termos ouvido em comentários ou em tom de desabafo de algum amigo e por que não, amiguinha de infância?
O filme nos remete a vários pensamentos e passa de uma forma se não contundente muito tocante, a mensagem de que não devemos julgar com precipitação, pois nem tudo o que nos parece é. Tudo isso embalado por belas imagens, fotografia linda, ângulos bonitos e uma trilha sonora eficiente. O filme se passa numa casa de praia, com uma família atpé então prefeita em temporada de férias. Mostra uma grande turma de adolescentes e suas descobertas, mas tem cenas internas escuras e algumas tomadas da praia tem um contraste do cinza dos rochedos e um certo tom pastel como que a mostrar que nem tudo é alegria nos momentos que deveriam ser felizes felizes.
O bacana desse filme é que vamos descobrindo todas as coisas junto com as personagens. É surpreendente, por isso não dá pra achar chato, como alguns que o viram antes de mim comentaram. Podemos nos questionar com relação até que ponto somos responsáveis pelo que nossas atitudes vão gerar em nossos filhos.
Qual o limite das coisas que devemos dividir com eles.
O quanto eles podem saber sobre nós sem que percebamos e o quanto eles idealizam sobre nós sem que saibamos.
Crescer dói e a história universalíssima deste filme nos informa que chega um momento na nossa vida que não dá para nos recusarmos a crescer e este processo uma vez iniciado, não terá fim jamais e nós, por mais que tenhamos uma idéia do que queremos ou de para onde desejamos ir, estaremos sempre à deriva. À Deriva é um filme emocionante, por ser verdadeiro.
Filipa ( Laura Neiva, em seu primeiro trabalho - descoberta pelo diretor através do Orkut, flerta feroz e displicentemente com a câmera que ora mostra uma menina, ora mostra uma quase-mulher, sempre um rosto anguloso gostoso de ver) está se descobrindo como mulher. E nós sabemos que isso significa querer ao mesmo tempo que não se quer. Querer para não saber o que fazer quando conseguimos. Ela exercita seu poder e influência, sobre Arthur ainda que não saiba exatamente o tamanho da sua “autoridade”. Filipa julga seus pais a partir das suas descobertas, segue investiga, observa e se no início aparece apegadíssima ao pai, para o qual parece dirigir um olhar ligeiramente incestuoso, pouco depois “compra o barulho” da sua mãe até perceber que precisa ter seus próprios problemas, até ouvir o chamado da sua própria vida. Não sei se intencionalmente, mas este filme pareceu-me dizer que existe mais de uma forma de ouvirmos este chamado.
A mãe de Filipa, Clarice - na interpretação equilibradíssima de Débora Bloch afoga as mágoas em duas pedras de gelo e muitos dedos de whisky chegando a comover pela insanidade em que se move, apesar do mau exemplo que dá aos filhos. Ela tem a árdua tarefa de definir uma situação difícil por natureza, reveladora de sua natureza e que acaba por decidir sem raciocínio, sem se reconhecer na decisão. Clarice está à deriva boiando à superfície dos seus sentimentos seus e na expectativa de outros sentimentos não seus. O irmão mais novo de Filipa faz um contraponto que mostra a total inexistência ou inutilidade de um filho do meio, neste filme uma filha.Seu pai, Mathias (Vincent Cassel), um escritor francês nos aponta os caminhos do nosso pragmatismo, do quanto podemos estar errados ao julgar a partir do que vemos. Do quanto a nossa cultura nos leva a preconceber julgamentos que jamais se concretizarão dentro de uma razoável razão. É ele quem vai nos mostrar o quanto podemos ser capaz de nos renovar mediante certas situações e o quanto isso pode ser inútil e quanto o aceitar uma opção na qual não estamos incluídos pode nos fazer mudar nossos conceitos. É diante do inevitável fato consumado que Mathias entende o pensamento prático de Clarice vendendo os direitos do seu livro para um diretor de TV que não admira. A separação tem disso: Nos mostra uma força que não sabíamos que tínhamos e uma coragem que não sabemos de onde veio. Algumas descobertas levam alguns pelo caminho mais egoísta e tornam outros mais ternos.

Esse filme tem as tintas exatas de todo um cenário de revolução de sentimentos, desejos, interesses e costumes de uma época e de algumas fases que passamos ou poderemos passar. Tem um clima de mistério de quem está descobrindo o mundo, a vida, a morte, a violência, o corpo, amor. Com muitas cenas aquáticas, sempre temos a impressão de que algo de grave virá após tantos mergulhos e bater de pés. Tem figurinos perfeitos, muito bronze, cenários paradisíacos e atores excepcionalmente bem escolhidos. Dá pra ver se não a nossa vida, nossos medos passando na tela, de uma forma que deixamos de dar importância à gaveta revirada e arma desaparecida, afinal Mathias, está tão ausente da família exatamente por estar inteiramente submerso e flutuando nela.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(SIMPLESMENTE NÓS. CLARICES)

Eu leio desde menina coisas que me impressionam profundamente.
Eu escrevo desde menina por ser uma pessoa que se impressiona profundamente, contudo, não sou um ser impressionável, simplesmente por não ser facilmente impressionável, mas impressiono-me profundamente. Há um abismo tão gigantesco entre o fácil e o profundo que eles são quase antagonistas de uma mesma ficção.

Impressiona-me a vertiginosidade de alguns autores e como alguns textos escritos por pessoas tão culturalmente diferentes de nós podem ser parecidos conosco.
Impressiona-me a minha timidez em declarar coisas como se eu fosse provida de uma modéstia falsa, pois que tratando-se de modéstia tanto a falsa quanto a verdadeira, são incômodas. Porém a falsa modéstia é útil e a verdadeira é um traste inútil, inutilizante. E aí se dá a magia de pensar e analisar sem se comparar. A consciência de sermos plenamente únicos e por isso plenamente solitários sem no entanto precisarmos ser ridículos! Impressiona-me o despudor de Clarice Lispector que se delclara desapegada da intelectualidade, escolhendo a vaidade. Como é lindo ver uma mulher linda, realizada como escritora, feliz como mãe preferir uma boa foto a um grande elogio! Uma feminilidade que transcende à uma sensualidade sofisticada. Uma firmeza repleta de delicadezas, como se ser mulher não fosse nada demais!
Impressiona-me ouvir da própria Clarice que ela é simples! Como se ser Clarice Lispector fosse a coisa mais fácil do mundo!
Na nossa pobreza reinante onde cada vez mais recorremos aos arquivos, onde as coisas já nascem velhas ou cansadas, ou gastas ou duplicadas. Pergunto-me o que seria de Clarice Lispector nesse século aparentemente XXI?
Ela seu cigarro e seus textos que não eram para ninguém.
Meu filho lerá Clarice Lispector um dia? E se ler, entenderá? E se entender, gostará?
A gente anda tão empacotado, corrido, proibido. As doenças do corpo passaram a vir da alma mas continuamos indo ao clínico nos tratar e quando essas idéias assombrosas me assaltam, eu respiro aliviada de jamais encontrar o Jardim Botânico vazio! Esqueço um pouco o cenário absurdo onde personagens infantis tiveram que crescer e já não sei se é para levar nossas crianças a ler, se é para ajudar a vender ou porque simplesmente não há tanto assim de novo por nascer...
Hoje, ano 2009, teriam crescido as personagens infantis de Lispector? Gosto de pensar que não. Já é por demais traumatizante crescer, gosto de pensar que serei igual aos meus sonhos e eles não precisarão ser como eu... E fico impressionada ao ver aqueles que se movimentam com tanta elegância por entre minas e a despeito das explosões mantem-se inteiros!
A vida até hoje impressiona-me sobremaneira! Não a vida não me fascina. Nem por ela sou apaixonada, embora eu viva de forma apaixonada e seja passional de perdersenso e juízo. A vida me impressiona e seus mistérios sim, me fascinam, de tal maneira que não vivo a desvendá-los. Convivo com eles como parceiros que me acompanham na tarefa de viver. Viver é antes de tudo uma tarefa exercida por órgãos, pelos, músculos e espírito, componentes que vivem a se repor, que vivem para se desgastarem e se auto substituirem. E nós vivemos numa eterna contra-mão, porque se materialmente buscamos substituir o antigo pelo novo, a vida é o misterioso escambo do novo pelo antigo. Ela se se renova nas experiências onde um cérebro a cada dia mais velho lida com fatos novos a casa segundo. Uma verdadeira arte de sobreviver às perdas, onde o que não mais é assimilado pelo corpo passa a ser depreendido pela alma!

Somos navios soltos ao mar, resistindo às intempéries! Pequenos navios, pesados que crescem e quanto maiores mais difícil de flutuar... Há que ter habilidade para romper o desgaste físico e substituí-lo pela destreza de navegar...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

(Ler, Escrever e Pensar)

Essa imagem me lembra a Leticia sabatela depois da cena com a Cristine Torlone...

São 4:18 da manhã de segunda-feira. Eu não consigo dormir. Depois de passar uma semana em casa numa quarentena de 10 dias recomendada pelo médico, meu fuso horário está mais do que invertido e desalinhado por pura falta de parâmetro com qualquer trópico que seja...

Andei sim a dormir durante o dia, coisa que me deixa de mau humor. Comendo tarde e sei que serei o ser mais improdutivo profissionalmente falando.
Bem feito!
Eu poderia estar trabalhando gora, isso foi o que smepre quis pra mim, trabalhar enquanto todos dormem sem ser guarda-noturno.

Sempre funcionei melhor durante a noite. Provavelmente porque somente nesse horário tenho paz pra fazer o que mais gosto: ler, escrever e tentar pensar. E de tão poucas noites disponíveis para estes 3 atos sagrados, eis que jamais consegui exercer com propriedade qualquer um deles. Escrevo mal, leio pela metade e não penso porque não dá tempo.

Vivo a digerir coisas que não comi ou que se pudesse escolher não comeria. Não nasci para o sucesso. Nenmhum ser humano carioca que torça pelo Botafogo e Império Serrano está fadado ao sucesso!
Ninguém que em sã consciência tenha um blog com esse nome cafona e escreva um post desses almeja na verdade a fama. Quisesse a fama e escreveria "Beber, Cair e Levantar"...

Mas a vulgaridade assim como a genialidade não são para os que querem.
Pior é não ser vulgar e não chegar a ser um gênio! Para estes foram criadas as madrugadas e blogs com nomes cafonas...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

(A Vida não é só feita de Vida)


Somos cheios de movimentos por dentro,
internos, interinos, constantes.
A gente não pára.
Coração, fígado,glândulas,
tudo mexendo,batendo
unhas, líquidos,cabelos,
Crescendo o tempo todo
Nos mantendo vivos e nos envelhecendo.
Funcionam à exaustão até nos levarem à falência
múltipla ou única, sempre de órgãos,
em verdade morremos porque algo deixou de funcionar.
Os órgãos, o organismo, a mente, a intuição, o reflexo...
Na verdade morremos de tanto que vivemos
Ou morremos porque vivemos...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tendo tempo, arte e talento, faça uma coisa boa. Vai cantar! Vai dançar!

domingo, 21 de junho de 2009

(PEDACINHOS)


A felicidade nunca é completa, mas ainda bem que podemos sentir os pedacinhos de dias felizes que acontecem.
Eu sei que não teremos tudo jamais, mas algumas coisas quero, quis tanto que que é um pedaço enorme de se feliz, ainda que todo o restante me falte...

Eu ando apreensiva e com medo do futuro, mas se esse é o preço quero mais ainda tanto medo

domingo, 24 de maio de 2009

(Fênomeno Impera. Ora, bolas!)


A vida anda meio corrida, ainda não o suficiente para cansar e confesso que me vejo às vezes economizando pernas, tal qual se faz quando queremos que um doce dure mais e vamos comendo-o aos pedacinhos e sugando seu sabor. É, no geral eu gosto de criar expectativas para mim mesma. Acho que deixar o que mais gosto para o final é uma forma de prolongar o prazer. Sim, eu sei que é também um risco, mas isto complementa!

Dessa forma, penso N coisas que gostaria de clocar aqui no blog e dividir com os poucos que o lêem (esse acento caiu, não?) Mas "o dia amanhece e eu esqueço"... Uma coisa porém, me ficou na memória. Descia aqui a minha sagrada ladeira de Fátima onde mantenho, custe o que custar, meu ritual de ler a primeira página de todos os jornais e comprar um que só vou ler tarde da noite, completamente demantelado depois de ter passado pelas mãos de toda a equipe de trabalho e, claro, depois de saber das mesmas notícias via comentários, TV e net-cada louco com a sua mania e esta é uma das minhas! É ritual e ritos não se discute!

Eu lembro que já há muitos dias vi o nosso Imperador Adriano, com a camisa rubronegra se apresentando pra "nação". Neste dia a banca de jornal tinha fila ao seu redor. Algumas pessoas saíam da leitura sem o jornal mas com olhos faiscantes de orgulho outros com um brilhozinho de inveja. Comentário geral ao longo dos dias que se seguiram que o jogador errara ao "vender" a idéia da aposentadoria e tão rapidamente ter mudado de opinião. Sinceramente, isso é o mais plausível de toda a história, porque de idéias podemos mudar a todo segundo. Uma olhada, um cheiro, um átimo e estamos lá passíveis de idéias diferentes. Bem, que ele tenha ou deveria ter uma assessoria a gerenciar a comunicação das suas idéias já é um mérito no qual não entro. Respeito o grande Imperador como um ser humano que tem direito de mudar suas idéias, ir e vir como qualquer cidadão deveria ter o direito e a grana para tal., com exceção dos que se casaram, é claro... Mas isto já é outro assunto.

O que senti e que nunca mais deixei de sentir foi uma estranha sensação de que o Adriano não daria à torcida rubronegra tantas alegrias quanto o Fenômeno presenteia a torcida corintiana. Por que? Vai lá saber! Uma idéia, um sentimento tão pertinente quanto a vontade de se aposentador do moço!

Eu admiro Ronaldo, tanto, tanto que discordo de tanta feiúra que dizem, ele tem. Sério! Não o acho tão feio assim. Prefiro sua careca a esta cabeleira cultivada atualmente e acho que a ligeira correção nos dentões o deixou muito bem e poderia ter continuado até colocar todos eles no lugar. Mas nada disso é mais importante e forte do que a determinação deste rapaz. Com certeza é o seu amor pela bola e o agradecimento que ele tem a Deus pelo dom recebido que o faz marchar em frente a despeito de de toda e qualquer adversidade, seja ela fatalidade ou sequencias de um deslize. Ronaldo não é o menino certinho e modelo de virtude como Kaká, nem o eterno menino como vemos o Robinho. Ronaldo é um cara que gosta de cerveja,comida, noite, farra.

Li há bastante tempo em algum lugar que ele ao ir para o PSV, submeteu-se a um tratamento muscular tão intenso que teria desenvolvido mais massa muscular que seus tendões poderiam aguentar. Penso nisso quando o vejo falar sobre seu percentual de gordura em baixa e a silhueta roliça que serve de gozação para os especialistas em futebol. Eu sinceramente, entendo pouco tanto de uma coisa quanto de outra. Mas prefiro acreditar no Fenômeno do que em qualquer um que venha ridicularizá-lo. Com exceção do Bussunda (que Deus o tenha) acho que ninguem mais tem o direito de fazer isto!

Ronaldo é um cara que gosta da vida e dos seus prazeres, que afia a língua defendendo o seu direito de ter vida privada, que demonstra muita e, acredito genuína, humildade. Talvez por isso ele vença cada desafio que lhe é proposto e se saia bem de cada encrenca na qual se mete. Não dá pra ter muita disciplina sem uma boa dose de humildade e pitadas generosas de amor ao um trabalho que exige abrir mão de tanto do que se gosta. Ronaldo é talento e superação. Coisas que vão muito além dse sucesso e salário. Um adolescente engraçado e sem jeito que vira deus no gramado gordo ou magro. E eu não consigo ver o Imperador da mesma forma. Adriano é bonito e tem um sorriso lindo e um olhar safadinho. (Não sei porque nenhum cronista de futebol fez este comentário...) Quis se aposentar da Europa porque da bola ele até gosta, mas me pareceu que gosta de outras coisas tanto ou quanto. Havendo dificuldades não sei se daria uma arrancada fenomenal em prol do seu manto sagrado...

Ronaldo treinava no Flamengo, deu mole para o clube, não deixou de declarar seu amor pelo time e seu desejo de ali encerrar sua carreira. Mas o Flamengo deve ser manhoso e acostumado que está a seduzir, não foi rápido o suficiente na conquista. O bom e véio Curintias, leva o fenômenos debaixo de apupos, promessas de vinganças, ofensas e xingamentos rubronegros. Todos diziam que por ser uma contratação promocional, ele jamais jogaria de novo e que se jogasse jamais se veria fenômeno algum de novo... Não se deve subestimar um suburbano, jamais! Prinicpalmente se ele ama o que faz e ja não depende de provar mais nada a ninguém. Assim, espero que Adriano por seu sorriso,sua careca, seu brinco e olhar safadinho, não decepcione aqueles que esperam tanto dele e que eu esteja errada, como não estive quando nnuma roda de colegas rubronegros apostei que Ronaldo arrebentaria e arrebataria no Corintians e que estava feliz por ele mais uma vez ter mostrado personalidade, obstinação e muito amor a bola, ao futebol e aqueles que realmente o valorizam. É falei, sim que todos os comentários e provocações não passavam de um tremenda dor de corno de quem só deu valor quando não tinha mais.
Bem pessoal, é isso. Falei os dois grandes e bons mas tão diferentes meninos de subúrbio. Dois assuntos que não comentei mas que me atormentavam... Afinal, tô treinando trilhar um caminho de maldita e diz a lenda que mulher e futebol nada a ver...

(Pouco Barulho para Tanto)


“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” e felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiros não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção. Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.
Até ver o filme eu não tinha a mais vaga idéia sobre quem era Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em “armários” ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.
Milk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região na qual vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora a responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que um hétero…Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.
Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt ( James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível!
Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não gostar de carnaval... Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.
No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.
Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho - e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!
Em suas panfletagens, conhece Cleve Jones (Emile Hirsch). Ele não está interessado em política, não quer saber de ativismo, está com dinheiro no bolso indo para a Espanha. Sou obrigada a concluir que grandes ou pequenas causas não movem um cidadão comum, enquanto elas não lhe arranham a própria pele. Gay ou não, somos individualistas e ponto. Cleve Jones, irá reaparecer no filme, após ter “quebrado a cara” com o seu “amor espanhol” e terá uma participação de destaque na história.
Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média.
Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade, utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!


Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade.
O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008, nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.”
A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

(Vários Poderes)

Fatos vindos da superfície desencadeando coisas secretas no meu reino secreto. Tenho tido grandes lições sobre pequenos espíritos. Gente míope golpeando à distância aquilo que já estaria tão perto.
Perco o sono e já não me sinto tão feliz. O idealismo não salva o mundo, apenas serve para entristecer nosso coração diante da realidade do que deixamos de ser, acovardados diante da saudade da juventudo que deixou escrito em algum canto tudo o que planejamos sem coragem de ser. O idealismo que não salva o mundo, nos entristece diante d arealidade que é a fidelidade aos nossos ideais que alimenta os facínoras do poder... Sua fome, sua ganância, suas vaidades e seu sadismo de ver sucumbir diante das suas incapacidades a pureza de um sonho que era para mais que um...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

(Cruel)

Eu queria dizer que te amo
e não dá tempo.
Eu queria te fazer um poema
e perdi o talento.
Eu me tornei guardiã do que você tem,
do que você me traz.
Agora vejo de longe o sonho de felicidade,
é pra longe que o sonho vai,
depois de tornar-se real.
O que fica é o de fato e o direito
e as coisas concretas são tão chatas!
Nada pode ser mais cruel
do que aquilo que podemos tocar.

(Made in China)

O natal passou... Graças a Deus! Não aguentaria tantas tarefas e compromissos que essa data me impõe!
Quem aguentaria mais de uma vez no ano as musiquinhas infernais que tocam os papais noéis da China? e aquelas lampadinhas que devem ser de lá também!
Depois que o mundo passou a ser fabricado na China, tudo me parece tão igual, banal e barato! Fizeram aquela abertura de olimpíada monumental e mandam pra cá essas coisinhas irritantes que se quebram só com o olhar!

Que venha o carnaval, que um dia foi nacional e agora é pra gringos e endinheirados! Eu fico com o samba, torcendo para que a China não comece a fabricá-lo também...

( )

Ai, cadê o meu lado engraçado? Ficou a vista alheia e escondeu-se de mim...

(Felicidade)

O segredo da felicidade está em sabermos quando estamos felizes, o que nos faz felizes. Encontrar a felicidade não é uma questão de busca, é uma questão de encontro, um encontro que não marcamos. Justamente a expectativa de encontrar é o que nos torna felizes. Felicidade procurada é prenúncio de ansiedade e certexa de tédio futuro. Está feliz quem se considera feliz. Pessoas são felizes por não saberem.

(Lemon Tree)

Um filme sensível, de belíssima fotografia com excelente e linda atriz. Beleza a despeito da idade ou justamente por causa dela, me pareceu uma perfeita palestina retratando a Palestina. Salma Zidane (Hiam Abass), numa primeira cena aparece cortando limões e fazendo compotas. Vê-se em suas mão a habilidade de quem breve terá um limão não azedo mas muito amargo para cortar…

O filme recheado de muitas sutilezas, delineados por clarezas deixou-me ligeiramente deprimida por sua carga de injustiças e dominações daquelas que nada podemos fazer a respeito até que percebemos que por maior que seja o oponente e por menor que seja o oprimido, notamos o quanto de covardia pode haver nesse clichê “o que eu posso fazer?”

Vive Salma com seus mais de 40 anos, a plantar seus limões, a cuidar do seu pomar, plantado há mais de 50 anos por seu pai. O maior adubo das árvores são com certeza, história e lembranças, e seus frutos transformam-se em limonadas que nenhuma personagem deixou de exclamar como deliciosa.

Entre muita solidão e algumas lembranças, Salma vai levando a vida, viúva, com filhos criados vivendo distante, até o dia em que ganha um vizinho, de nome Israel, ministro da defesa do Estado homônimo. Um chefe do Serviço Secreto supõe que o pomar de Salma seria o um caminho estratégico para terroristas que quisessem atentar conta a segurança do ministro. Ela recebe uma carta comunicando o fim do seu pomar e que seria indenizada por isso. Começa aí, um pesadelo temperado por esperança e perseverança. O primeiro passo é traduzir a carta escrita em hebraico. O segundo buscar ajuda. O filho que mora nos EUA, não pode sequer terminar com tranqüilidade o telefonema; a filha casada e com 2 ou 3 filhos e marido é mais comovida com sua própria penúria que pelo drama da mãe e, no local onde estão apenas homens onde ela consegue de um “amigo” a tradução da carta. Tudo o que ela consegue saber além do conteúdo, é que nada pode ser feito, arbitrariedade similar já ocorrera com todos por ali e ela, palestina, não pode aceitar nenhum dinheiro israelense… O egoísmo que sacode por lá é o mesmo que paira por cá…


Salma Zidane contrata um advogado (Ali Suliman), indicado pelo genro. Eles vão à corte onde sequer conseguem falar. Ela decide recorrer a Suprema Corte. A partir daí, sentimentos desdobram-se diante de atos e fatos. É sutil e delicado porém perceptível o envolvimento e quase sedução madura de quem não pretende uma entrega mas compreende o direito feminino de mostrar-se bela: Numa cena onde ao atender o advogado que bate à porta, ela decide não usar seu hijab; nas cenas onde ela passa o seu baton e naquela, em que ela tira o mesmo baton para atender alguém que chega e que não é o advogado. A delicadeza com que o medo é mostrado é a mesma que mostra o modo das personagem ir em frente.

É clara a solidão de Salma quando ela conta que quando não há uivos de lobos, ela se sente só e quando eles uivam ela se sente uivando com eles. É claro a sua obstinação quando ela em uma única frase resume a espinha dorsal de todo o filme: “eu já sofri demais” (e por isso exatamente por isso, ela vai à luta e não entrega sem resistência tudo aquilo que ainda possui e que lhe traz paz de espírito, sua casa, seu pomar, suas lembranças, suas tradições culturais. Não importa o preço ela paga!)

Lemon Tree,é um filme tocante que mostra a intolerância daqueles que já acostumamos a ver como vítimas. Mostra a disputa e os poucos lados da única questão que é querer o que é do outro. Tomar posse simplesmente por achar que se tem direito por ser o mais forte, o detentor do poder, da autoridade. É o que demonstra a visita de um provavelmente parente do finado marido, a dizer que mantenha limpa a memória do falecido. Não importa de que lado esteja a força, ela estará forçando sempre o mais indefeso… Assim, a atitude ou falta dela com a qual se responde ou se corresponde às situações nas quais o uso arbitrário da força nos coloca.

Esse filme é baseado numa história real e, talvez por isso mexa na ferida que é a impotência consentida ou não e seus descaminhos.

Mira (Rona Lipaz-Michael) surge no filme, numa situação de felicidade e futilidade. Ela é a feliz dona de casa judia, casada com o ministro da defesa de Estado de Israel. Durante os preparativos para a festa de inauguração da casa, eles têm uma conversa que demonstra que se ela faz algumas concessões, não significa que seja desatenta ou que ignore os fatos. O nível de tolerância do ministro é claramente demonstrado quando Mira sugere iguarias árabes e o marido, depois de breve rodeio bate o martelo escolhendo o cozinheiro e que este faça apenas comidas kosher…

Mira, se envolve na causa da sua vizinha árabe, através de olhares e atitudes que irão perdendo a timidez ao longo do filme. Esse filme é um grande filme muito mais por aquilo que induz do que pelo que mostra. Muito mais do que a disputa entre palestinos e israelenses, mas por mostrar a forma como cada uma dessas culturas tratam suas mulheres, semelhantes e rivais. Espera-se um comportamento respeitoso sem que nada se faça para realmente o obter, nisso em que eles são diferentes dessa nossa cultura tão ocidental e moderna?
Exceção a essa regra, é o misto de empregado, pai de criação e melhor-amigo- que- parece- não- dar- muita- confiança, o bom velhinho que recusa convite pra almoçar mas se interessa em saber sobre a visita da filha de Salma, o que demonstra que ele percebe a sua solidão mas por motivos culturais, vê esta solidão como algo inerente ao destino de uma mulher viúva e árabe, o que não o impede de ir às “vias de fato” com Ziad. Dessa forma, essa personagem que não sei o nome deste ator que desconheço, é o único que não vai até Salma fazer-lhe cobranças e imposições por seu comportamento, como se um relacionamento, quando precisa ser proibido, fosse de competência única e exclusiva da mulher, afinal ela é o pecado, o homem só erra por ser tentado…. Conhecendo Salma desde criança ele confia nela e só no final do filme entendemos essa forma de relacionamento sem conversa, apenas por atitudes, sim, exatamente da mesma forma como se “comunicam” Salma e Mia…

Em filmes que falam pela ausência de palavras um quadro na parede pode dizer muito de uma produção, tanto quanto o casaco que uma personagem veste. Reparem além da foto do marido de Salma na parede, a foto do craque Zidane no quarto de hóspede e o agasalho verde e amarelo de Ziad.

O par da nossa heroína, Ziad Daud deixa claro que há os que se acomodam sem motivos para mais uma luta, pois desistiram, porém tendo uma boa causa, se empenham e se aplicam em vencê-la, o que não significa que seus horizontes se expandirão muito além dos seus interesses pessoais. Outra lição que o nosso advogado nos passa é que nem sempre o melhor aliado para uma luta seria melhor companheiro para nossa vida…

Agora, uma anotação muito pessoal:

Eu que cresci vendo nos telejornais essa loucura palestino-judaico (ou seria vice-e-versa?) sem nunca ter compreendido muito bem, ao que um dia um professor me disse que “se fosse fácil eles já teriam se entendido e nós simplesmente estudaríamos história”, óbvio que tomei o caminho mais fácil de não buscar entender nada tão complicado. No entanto, por influência da 2ª guerra, tenho como muitos da minha geração, o vício ou tendência de ver os judeus como vítimas eternas. Este filme me sinalizou que já passou da momento de rever vários dos meus conceitos. O mundo é muito mais do que nos diz as fantasias americanas.

Texto para: Cinema é a Minha Praia
http://lella.wordpress.com/2008/12/21/lemon-tree-etz-limon/

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

(QUEIME DEPOIS DE LER)

Então, fugindo da tristeza fui ao cinema.
A verdade é que entre qualquer filme estrangeiro e um brasileiro, minha audiência vai para o BR.
No Arteplex estava em cartaz, entre outros que não lembro o "Queime Antes de Ler" e "Escola de Meninos". Embora eu tivesse comentado um dia antes que queria ver o filme com Murilo Rosa, a amiga vascaína lembrou-se que uma semana antes eu tinha comentado sobre o filme com Brad Pitt. E foi esse o ingresso que ela gentilmente comprou para mim.
Não se contraria quem já tem motivos de sobras para estar chateado e combinemos que Brad Pitt não é nenhum sacrifício! O problema foi entrar na sala de projeção sem resenha, levada apenas por Clooney e Brad, pensando que veria um filme de ação, suspense, espionagem como o trailer visto na semana anterior, induzia.

Queime depois e ler, é uma piada. Chateia quem vai assisti-lo com espírito de coisa séria, mas lava a alma de quem já cansou de ver americano salvar o mundo ou apenas um homem americano acabar sozinho com a banda podre do mundo.
Ver a liberdade sexual e o divórcio virar brincadeirihas de pessoas depressivas, fúteis e entediadas em vez de a salvação afetiva que o mundo precisaria aprender com a América.
Ver o quanto uma americana acima de 40 valoriza a amizade e sua necessidade vital de fazer cirurgias estéticas.
"Queime Depois de ler", achincalha o poder. O poder da mulher empregada em detrimento do marido que pede demissão por motivo de orgulho profissional.
O poder da Inteligência Americana e sua relação com os crimes ocorridos em função dos seus próprio erros.
O filme começa com uma tomada de imagem via satélite muito legal e com uma músca que sinceramente, gostei. A imagem "invade" o prédio da CIA e mostra a demissão arbitrária de um agente nível 3. Ligeiramente deprimido ele vai pra casa e não consegue contar à mulher da demissão, pois ela está ocupada com os preparativos para receber visitas, um casal amigo que o marido detesta, aliás eles se detestam mutuamente. Tem o agente que em 20 anos de serviço nunca usou a arma e os caras da CIA que há tempo no poder nada fazem de sério, relevante ou coerente. Enfm, o filme vai brincando com tudo aquilo que os americanos levam a sério e que nós nos acostumamos a acreditar.
Quando percebemos que estamos vendo uma comédia?
Eu percebi quando vi o Brad Pitt vigiando a casa de um suposto espião com uma inimaginável dancinha de braços, siplesmente impagável! A cena do armário, achei excelente!
Enfim, é um filme que não vai deixar lembrança, vai te dar umas breves oportuniddes de riso e talvez satisfaça aquele lado todo-americano-é-ridículo.
O que aprendemos com o filme? Que não se escolhe filmes pelo trailer, nem pelos atores bonitões; que depois de pago um ingresso ele até pode pode valer a pena, se a sua alma não for pequena...

(Domingo 7 de dezembro de 2008)

Vivo um momento em que grande percentual dos meus amigos são vascaínos.
Não sei como isso se deu. Mas por um motiVo também inexplicável, considerando que no termo "amigos", incluo os conhecidos, colegas de trabalho e os de relacionamentos eventuais como clientes, estou muito mais feliz com estes amigos do que estava com os amigos que tinha antes, na sua maioria torcedores do Flamengo... Por que? Não faço a menor idéia, mas esses meus amigos atuais são mais leves, menos passionais, diferentemente dos donos do mundo, eles têm uma cota menor de propriedade dele. Emba que na sua configuração de felicidade os resultados do time tenham influência

Assim, fiquei triste com a saída temporária do Vasco, da chamada elite do futebol brasileiro.Pensei em cada uma dessas pessoas e assistindo ao jogo torci embora já saiba que quando além do nosso próprio esforço dependemos do resultado de outros, o ato de torcer é um paliativo para algo iminente que ainda não estamos preparados pra aceitar de prima...

(Sobre Morte)

Sobre a minha morte, não ligo a mínima.
A morte dos outros é que me incomoda,
dói e me inconforma.

Caraca, ter uma saudade que nunca mais vai passar.
Ver coisas que deveríamos ter feito
e não poderemos mais fazer por aquela pessoa ou com ela...
A morte com o seu "nunca mais" é uma barra pesada sem fim.
A gente até parece que esquece, mas não passa, não.

Depois de ter perdido grande parte da família eu tento viver de modo a fazer todo o possivel e que esse possivel,não tire a parte impossivel que tenho que fazer por mim.

Na teoria funciona,
na prática,
o mundo é louco,
o tempo é pouco,
muitos não me dão oportunidade
de alguns com certeza esqueço,
e no final amadureço...

Medo de morrer não tenho, nenhum tiquinho...
Mas eu queria deixar o mundo salvo antes de partir.
Não queria ir sem ver algumas doenças curadas,
alguns politicos presos.
alguns amigos lentosos fazendo sucesso...
Pra isso me indicam a reencarnação,
mas no momento não sei...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

(CULTURA)

Quando escrevi o post aí debaixo, era julho. Eu não tinha visto a "Noviça Rebelde", nem queria ver. Estava caro, era longe e eu não gosto de musicais! Certas coisas estão escritas e podem mudar todo o curso de uma vida. Em outubro, ganhamos 30 ingressos para levar as crianças dos hospitais onde atuamos para ver. Lembramos também das crianças da Casa Ronald, mas como tudo estava muito em cima da hora, elas já tinham outros planos para o Dia da Criança, embora este fosse o mais interessante, poisa não é todo dia que crianças sem saúde e muitas vezes com pais sem grana (uma coisa normalmente leva a outra) podem ir a um teatro estalando de novo, ver uma super produção que atravessa os tempos totalmente indiferente a qualquer linguagem moderninha.
Assim, juntei as crianças possíveis e lá fomos ver a "Noviça" que se recusa a envelhecer mantendo-se rebelde, que eu tinha na minha memória como Julie Andrews na sessão da tarde, da tv da minha antiga casa com uma imagem pequena e desbotada. Então, acontece um espetáculo dentro de outro, na porta a expectativa de receber crianças que chegam com olhos acesos,ávidas pela novidade, dar prazer, levar alegria é realmente tão gratificante quanto ter quem nos faça feliz. No teatro, o milagre 2, achei a peça divertida, muito superior ao filme e as crianças estavam em êxtase. Muitos pais ainda mais maravilhados do que os filhos. Você sabia que tem pessoas com mais de 20,30 anos que nunca pisaram num teatro? Pensar nisso dói. Coisas que não se faz por gosto, coisas que não se faz por total impossibilidade, mas se não tiver a chama transmitida de um olhar pra outro, a alma permanece às escuras. De certa forma essas crianças que tiveram um programa, terão mais sede e poderão buscar oportunidades para chegar em lugares que até então não sabiam existir, mas antes elas precisam sobreviver à doença e as condições adversas que embaçam as possiblidades de cura... E depois combater a ignorância dos que querendo acertar, acabam por errar, por nunca terem tido não sabem o quanto podem fazer falta...
Cultura é assim: Perceber que o que está flutuando inquieto dentro de você está sendo realizado por alguem em algum lugar. Só é bom quando podemos participar, do contrario, invejamos e menosprezamos aquilo poderia nos salvar.

domingo, 30 de novembro de 2008

(Balanço do1º Semestre)


julho 2008.
Mais de 6 meses do último reveillon e acho que Papai Noel já botou s renas a caminho. Logo depois do Dia da Criança ja vai ter cheiro de neve falsa no shopping. Neve falsa, dinheiro de plástico, cheques voadores, promoções inverídicas e sabe-se lá mais o que o nosso consumismo é capaz de provocar na imaginação dos empresarios...

Não sou o que se chama de pessoa endinheirada, muito pelo contrário. Não sou uma intelectual, apenas gosto de ler na praia, na condução, no trabalho porque em casa teno mais o que fazer ou me dão muito o que fazer, gosto de alguns filmes absurdos, que intercalo com filmes possíveis porque não tem graça ir ao cinema e não ter com quem comentar...

Eu vi Batman, na primeira semana. O Escafandro e a Borboleta, Crônicas de Nárnia, Homem de Ferro, Crime e Reparação, Piaff,Elizabeth, Beijo Roubado e mais de uma dezenas de filmes que não estou lembrando agora.
Fui ao teatro pra ver Otelo, Divina Elizeth, O Diabo Veste Saara, O Processo, e mais umas peças que já tenho dúvidas se pertencem a este semestre ou algum outro do ano passado... Vi coisas boas e ruins, mas continuo achando que o mais importante da cultura e da arte é ter com quem comentar ou debater, interação, pois a arte não pode existir e haver em si mesma, por mais que nasça na solidão ou o artista precise de sossego pra criar, nenhuma arte é completa se não ganhar mundo, olhos e corações. Depois, se tivermos pendores artisticos, localizar portas e chaves por onde se possa evadir nos baço leves e frageis da inspiração, fugir das garras possantes da obrigação!
Por isso eu escrevo, porque estou viva e para manter nessa vida besta alguma sanidade.

Algumas coisas não quis ver como "A Noviça Rebelde". Ah! Chega de cortinas virando roupa de gala! E não gosto de musicais, embora ame música.
Agora começo a achar que faço a linha garota-agora-mulher-deprimida-e-do-contra. Daquela que sobrevive quando todos pensam que ela vai se jogar da ponte; se esconde quando todos vão procurá-la na festa e quando deveria estar estar no fundo do poço, aos prantos, ela sorri!

Posso dizer que parei de fumar. Não aguento o olhar delator dos em volta quando pego o isqueiro. Ah, Se eu tivesse dinamite em vez de cigarros para acender com ele... Estaria fazendo com os não fumantes o que eles já fizeram comigo inúmeras vezes! E olhe que nunca fumei em lugares fechados.

(24/11/08 comente batima, DU)

Se vc é do RJ, a melhor opção é mesmo os cinemas do Centro nos fins de semana (pref.domingo). Tem um movimento anormal para findi, mas não é nada tão complicado. No Palácio colocam umas senhorinhas, only duas, na bilheteria e elas já esqueceram que jovem tem pressa e o filme tem hora pra começar, são muito leeeeeeeeeeeeennnnnnnnnnnntaaaaashshshshs (entende?) A sala tem 229 lugares e havia uns poucos lugares vazios, ou seja, é muito mais problema adm do que excesso de platéia. E depois, minha querida, aquele café impagável no Odeon com pão de queijo pra comentar o filme na esquina, huummmm! O chope acho caro. Se vc for de chope corra pra Cinelandia, o debate esquenta e dá pra falar alto….

(Batman, por DU)


Domingo, Cine Palácio, Rio de Janeiro. Não consigo de imediato saber se a fila para a compra de ingressos está maior que a fila para entrar na sala e a fila da pipoca não fica muito distante em tamanho também. Bastante gente, vozerio, confusão. Pela primeira vez deixei de assistir a um filme do Batman na estréia. Estrategicamente, abandonei os shopping e deixei pra vir no domingo, que segundo dica de amigos, os cinemas no Centro estão vazios. Meus amigos devem ser muito tagarelas, pois, inteligentemente todo mundo traçou a mesma estratégia, e lá estava eu enfiada no meio de uma bem comportada multidão (ainda assim multidão) e sem o ar condicionado do shopping o que me fez pensar se não havia traçado uma estratégia suicida… But, no stress, o morcego merece!

Não me preparei para ver esse filme, apenas me concentrei para o baque triste que seria ver o Heath Ledger. Não li nenhuma crítica e não perguntei a ninguém. Ao ‘Batman Begin’, assisti 4 vezes, a este precisarei multiplicar esta quantidade em função de tanta qualidade, porque é um BAT FILME! O filme é sobre o Duas Caras, tem um Coringa que será inigualável (entendo que nunca é tempo demais, no entanto mantenho: inigualável = jamais será igualado.), tem metáfora da vida de como o homem perfeito deixa de sê-lo, tem diálogos muito legais pra um filme de ação. Ação? Não só, mas também. Batman é um filme com bastante ação, muito suspense, algum drama, uma pitada de romance, que desencadeia tudo o que acontece no filme e ainda mostra que para grandes atores não existe participação discreta, leia-se, Michael Caine e Morgan Freeman. Duas horas e trinta e cinco minutos e achei pouco.

Acontecendo quase que totalmente à noite, todas as cenas são bem visíveis, inclua-se aí as de lutas, totalmente superiores às dos outros filmes. Batman se torna mais um personagem no meio de tantas excelentes atuações, mas retoma a sua veia de detetive, mostra toda a sua inteligência e mostra que não é tão dependente da criatividade genial e conhecimento tecnológico do Lucius Fox (Morgan Freeman).

Creio que seja a melhor história que já vi em filmes de super-heróis. E aí todo mundo já sabe a resenha sobre Gothan. Na cidade tomada pela corrupção e outros crimes, Batman ganha o reforço do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), o “Cavaleiro Branco” legítimo representante do povo, que luta sem máscara e sem medo de colocar a “bagaceira” do crime atrás das grades. Com quase toda a máfia na cadeia, os remanescentes em liberdade aceitam uma proposta de um louco corajoso e anarquista que não quer o poder, quer instaurar o caos na cidade, quer levar as pessoas ao seu limite.

Sim, o Coringa de Ledger é o mensageiro do caos, aquele que quer mostrar que todos tem um lado oposto ao lado bom e que, bem manipulado vem à tona e prevalece. É como se ele soubesse a moeda de troca de cada um, ele sabe os valores de cada uma daquelas boas pessoas e faz o que precisa fazer pra ver esses valores ruirem.

Estranhei dessa vez a voz de Bale, acredito que seja porque neste filme, Batman fala muito mais que no anterior, onde só falava frases curtinhas. Mas se em Begins víamos um Batman que sabia se controlar, nesse Cavaleiro das Trevas o bicho pega! O Coringa tira realmente esse Batman do sério. Na cena do interrogatório na delegacia, vemos o nível da loucura desse Coringa que me pareceu um endemoinhado com alguns trejeitos de Jack Sparrow à beira de uma crise manicomial, histriônico, absurdo, assustador e pasmem: engraçado. Nesta cena, o maluco parecia agregar à sua loucura o efeito de qualquer droga que tenha adormecido o seu couro. Tudo para o descontrole do nosso herói! E se numa cena anterior Batman repreende o promotor de que não era certo trucidar um capanga debilóide do Coringa, à frente do palhaço ele se esquece disso e “manda ver” até perceber que ele não assusta o palhaço malvado.

É realmente um grande filme, uma grande história, uma grande direção e como se não bastasse, recheado de grandes interpretações. Umas poucas bobagens passam pela nossa cabeça quando por exemplo, tentamos entender como o Coringa consegue plantar tantas bombas em tantos lugares sem que ninguém veja e como fica no hospital um paciente tão importante, mas essas questões são expulsas da nossa mente mediante o que vemos na tela.

Eu particularmente fiquei com uma sensação de que o meu herói perdeu e perdeu feio. Sossego, amor, amizade e um tanto do juízo. E não é pra menos, afinal, testemunhei como um cidadão do bem, parceiro de luta pela justiça pode transformar-se num vilão depois de perder o que mais significava pra ele, deixando-se naufragar no ódio e na vingança. Senti uma certa mensagem de desesperança, amargura nesse nascimento do Duas Caras. Ver o promotor acima de qualquer suspeita, transformar-se num feio e deformado me pareceu uma metáfora do que acontece quando perdemos o controle e nosso emocional vai para onde não consegue mais voltar. Mas que maquiagem! Só acho que ele falou bem demais, Se o Coringa queria mostrar que a verdadeira face de Harvey Dent não era a que todos viam, consegue. Aliás, neste filme, Coringa consegue quase tudo, só não consegue matar o eterno morcego e é neste filme que se conhece em profundidade a BAT ALMA do morcegão.

Em tempo: Não vi o Heath Ledger, só o Coringa estava lá…

Por Deusa Urbana, em 24 de julho de 2008. No blog Cinema é a Minha praia

(Coments: Closer Perto Demais)


Foi nesse filme que me apaixonei pelo Clive Owen.
É um filme para se rever a cada momento da vida em que não tenhamos desistido da aventura que é conviver, amar, o que acaba por muitas vezes a nos levar frente ao nosso reflexo no espelho do outro…

“Muito louco” esse filme, que pode nos trazer a reflexão que ali ninguém amava ninguém, mas todos se amavam muito…
Tal qual na vida real… Quando colocamos no amor a expectativa das carências atendidas; que no amor está implícito receber; a troca que no cotidiano acaba por tornar-se barganha e, muitas vezes, o que chamamos de amor e felicidade é o prazer não só do sexo, mas da conquista que segue como posse…

O meu mundo é lotado de de Annas, pessoas que não ficam sozinhas, precisam de um par constante mesmo que tenham que trocá-los constantemente (o filme começa com ela recém-separada, permitindo-se ser atraída pelo Dan e logo depois casada co Larry).

Conheço muitos Larrys, capazes de relacionamentos superficiais on line, que arriscam por trazê-los pro mundo físico (quando ele encontra a Anna, supreende-se que ela seja tão bonita).

A porção Dan é a que está mais presente no nosso mundo, aquela coisa de testar o sex apeal, de insistir numa paquera, o “não” parece estimulá-lo enquanto ele não adquiriu seu objeto de desejo. Ao meu ver ele é a versão masculina da Anna, começa tendo uma namorada de nome Ruth, vai morar com Alice, se apropria da sua vida escrevendo um livro baseado nela e enquanto isso mantém um caso com Anna, que por sua vez, sabendo-o comprometido, sapeca-lhe um beijo, seduz como se fosse apenas seduzida e segue casando-se com Larry.
Entendo, às vezes é difícil escolher, às vezes o atendimento às nossas necessidades está diluído em pessoas diferentes…

Da 1ª vez que vi este filme, não tinha percebido que Alice era a grande invejada da trama, embora não tenha sido a escolhida. Dessa vez a vi como aquelas personagens dos contos de fadas que esperam pelo príncipe encantado, ainda que não espere sentada, ativamente ela espera.

Ela poderia amar Dan por toda a vida, se ele soubesse ou tivesse aprendido conhecê-la, entender que ela realmente o amava, que muitas vezes estar fisicamente com alguém, não significa estar amando alguém, alguém que pense assim pode ser striper sem trauma, sem culpa e sem traumatizar. Alice não tinha culpa e vivia bem com isso. Dan poderia ter percebido que a única ambição de Alice/Jane era ser amada com carinho e verdade. Ela nunca trazia bagagem e acostumada que era a separar razões e emoções, desta vez não traz sequer um nome. E se Dan viveu com ela tanto tempo sem sequer descobrir seu verdadeiro nome, como poderia conhecer sobre o seu amor? Interessado que estava em ter exclusividade sexual, entretido na competição com Larry, ele não olhava para nada que não fosse ele mesmo que se refletia em… Anna(?)

Sim, Dan ama Anna que o ama também! Mas este é um filme sobre as contradições que nós criamos, sobre as dificuldades que sobrepomos ao que já não é tão fácil, ainda que seja simples. Sobre a nossa falta de coragem de encarar nossas fragilidades, defeitos e dificuldades de escolha (e quem sabe, por que não, buscar terapia?).
É ai que Larry deita e rola, ou melhor, deita e dorme.
***
Larry merecia um “capítulo” à parte.
Qual a mulher que nunca trombou com um homem desses ditos experientes, que seduz, conquista, briga por sua posse, joga com a sua culpa (pra ele mulher boa é a culpada que enquanto remói as culpas não sai de casa) pra dormir no final?
Sem falar que, ele pecebendo a natureza depressiva da pobre coitada, acha que fazer feliz é fazer com que ela permaneça infeliz (assim é se lhe parece?). Repito “muito louco”, tipo o masoquista implorando ao sádico que pare de torturá-lo….
Grande filme, agendei pra rever ano que vem.
***
Esse blog me faz feliz demais! Onde poderia escrever essas coisas, que pasme, penso?

Em: 28 dejulho de2008 - no blog Cinema é aMinha Praia

(Coments: Um Beijo Roubado)


Esse filme me prendeu já nos primeiros diálogos, tipo uma identificação imediata. Muito fofo!
Achei que a Elisabeth, aceitou provar a torta blueberry porque ela iria para o lixo sem nunca ter sido tocada. Bem legal essa colocação de que não há nada de errado com aquilo que não é escolhido, como muitas vezes o que é escolhido não tem nada demais. Mas bem que pensei, nunca na minha vida quero ser a torta não escolhida, embora, prefira sempre eu mesma escolher…

Achei um pouqunho arrastadinho em alguns momentos, mas não gostei menos por isso. Gostei muito desse filme que a mim pareceu falar da necessidade que temos de nos perder de nós, para nos achar.
Do quanto é difúicil nos desapegarmos daquilo que imaginamos ser nossa, vida, nossa salvação, nosso amor. Muito tocante a situação de um casal quando o amor acaba de um lado, sendo substituido por um outro sentimento que a parte abandonada não entende, não respeita, não aceita. Mesmo as boas criaturas são capazes de atrocidades amorosas.
Mas o que me enterneceu foi perceber que mesmo alguem sensível, observador e com uma cabeça eternamente em movimento pode ser sossegado e permanecer o mesmo e no memso lugar. Eu que sempre associei conhecimentos assimilados com inquietação e mudança. E a constatação do Jeremy de que não se pode mais fumar em lugar algum…

Lella:

"Oi Rozzi!
Além da torta ir parar no lixo, creio que também ela sentia ‘fome’. O filme para mim evoca o alimentar uma relação. Mas ai, depende do que? Como na canção: Você tem fome de que?

Mas também uma relação não deve ser uma via de mão única. É preciso que ambos estejam motivados para que ela prossiga. Ceder, sempre, só de um lado, em algum ponto vai haver cobranças. E muitas das vezes, pesadas.

O Jeremy não é um cara ambicioso. Seu Café, já dava a ele chance de mostrar o seu talento"

Rozzi:
Sim! Mas a inquietação que eu falo traz a ambição que ele tinha, uma sede de evolução, um amadurecimento. O que quis dizer que sou uma pessoa que se mudo me mudo e achava uma coisa inerente a outra e percebi que não necessariamente…. Entendeu?
Talvez esse seja o grande lance do filme… Conhecer as diferenças do outro, entendê-las, sem necessariamente praticá-las embora de certa forma delas participemos…

Veja: O Jeremy, queria ser atleta, viajar, quebrar recordes,ganhar premios. Acabou por criar raizes, fixou-se e a principio parecia parado no tempo, um guardião de chaves (e chaves eram dores, desiluões, fim de romances) inclusive a dele próprio.

No entanto, era um cara que sabia se mobilizar pelo que queria. Capaz de roubar um beijo, de enrolar um cigarro e tê-lo sempre à espera, de procurar por telefone todas Elizabetes em restaurantes de Detroit(? esqueci… mas não importa).
Mas é a partir desse beijo roubado que ele se movimenta, então, desde o ultimo “toco”, nada de interessante acontecia na sua vida, nada que valesse a pena algum esforço, a não ser a rotina dos sabores (isso é nome de poema rsrssr).

Ele tinha um interior em movimento, observando, vendo, vivendo, só o seu externo parecia estar parado, como constatou a ex namorada que o visitou durante a viagem da Liz e depois dessa visita as chaves desaparecem, ele muda, esconde a fita e refaz o filme desta vez consentidamente (viagem minha, ok?)

No diálogo final com a Liz, por sinal eu achei primoroso! Leslie diz que ela precisa aprender não confiar e Liz responde que Leslie precisa aprender a confiar.

Não são atitudes, posturas, pareceres, diferentes que separam… Diante de uma desilusão amorosa, Liz viaja e Jeremy fica, cada um a seu modo conseguindo limpar sua área, juntar seus cacos pra um recomeço. Isso é divinoooooo!

Eu achei esse filme de uma riqueza esculachante! Vou ver de novo sim. Até pq pretendo montar um almanaque de desilusão amorosa com arranhões reduzidos…

Qto ao talento do Jeremy, do jeito que é fofo nem precisava saber cozinhar…E ainda beija bem!

Em 22 de julho de 2008 - Comentarios no bog Cinema é a Minha Praia

(Coments: O Escafandro e a Borboleta)



Vi na quarta-feira o “Escafandro e a Borboleta”. Aqui no Rio, no Odeon. Não há multiplex que me tire o prazer de ir ao um “cine rua”. Ir ao Odeon, é fazer parte do nosso próprio filme. Estou meio zonza, ainda.

Não sei exatamente o que lhe dizer. Não assisto filmes com olhos críticos, eu sou uma pessoa que acha que “cinema é a melhor diversão”. Não dispenso o papo com os amigos depois da sessão e regamos os comentarios e opiniões com um chopinho…

Diferentemente do que eu imaginei, não chorei nem me comiserei. Digo que sufoquei no ângulo restrito do olho esquerdo de Bauby. Me angustiei com a vista embaçada e a escolha de cada letra de cada palavra.
Estou mais pro negão voluntário, sem nenhum jeito pra coisa.
Não deu pra comparar com outros filmes com temas similares, esse cara era um cara que queria viver.
Fomos ao extremos de uma situação pra perceber que a vida é feita de poucas coisas pequenas que valem realmente a pena e não a vemos enquanto tempos tantas outras coisas importantes pra fazer. A 1ª comemoração do dia dos pais…
E tudo começou quando ele decidiu deixar de ter pena de si mesmo. Simplesmente foi em frente, fazendo o que tinha pra fazer, da maneira como poderia ser feito. Não se abrigou em nenhuma religião e achei interessante isso, ele segue vida em frente, passando pelos obstáculos, cumprindo tarefas. Continuou simplesmente sendo a mesma pessoa, porque talvez, o que sempre o sustentara e ele não percebia era a porção sonho e imaginação que ele tinha… Criatividade, bom humor.
Uma tragédia e ele fala com tanta simplicidade, as randes descobertas que elvaram a humanidade foram simples: Uma roda, uma fogueira e agora piscadelas

Em:11 de julho de 2008 - cmentpario no blog Cinema é a Minha Praia

( )

O Chico escreveu e cantou
"tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu"...
Eu não queria ser assim
essa pessoa do jeito que sou
assim... Entende?
Tão educadinha.
Como eu queria
saber mandar o mundo se danar!
Eu não ficaria assim, desse jeito assim entende?
Rindo por fora, triste por dentro
Sofrendo no meio
Como um bolo,
um pão, um recheio...
----------------------------
Acho chato saber tudo
Então digo que não sei
Sai no prejuízo quem entende tudo
Então finjo que não entendo
Não sei contrariar
Então não argumento...
-----------------------------
As pessoas falam
Mas não é pra ouvir sua opinião
É so pra serem ouvidas
Então eu só escuto...

Se não quer saber o que pensa
Não me pergunte
pois, eu também não pergunto

Chico, não parti, nem morri
Reparti e vivi
Tempo demais pra chorar
Tempo de menos pra tudo que ainda tenho
que vivir...

E por falar em vivir
Tenho saudade da minha amiga espanhola
Espanha não fica na Europa?
Por que ela não parece européia?

sábado, 29 de novembro de 2008

( )

Difícil manter a assiduidade e terminar a estoria afinal!
Só vou poder postar outra vez na quarta... Se até eu não esquecer a estoria que estava contando...rsrsrsr

Pros amigos de fora:
Tá um sol de rachar! Parece que Deus resolveu fazer as pazes com quem trabalha em escritório (fez um puta sol no findi depois de vários findis mormacentos com cara de finados) e com quem vende cerveja na praia... Agora só falta o Lula tbm liberar um aumento pros pensionistas comprarem seus remedinhos na santa paz!

Em 04/12/2006 from Net Log

(Amadeus)

Eu revi Amadeus, o filme de Millos Forman. E foi como se tivesse sido pela primeira vez... Depois da sessão de cinema da tarde de ontem não consegui mais ficar feliz... Estou incomodada, apreensiva. Não se trata apenas dos ecos que porventura despertam no nosso coração a maldade, a inveja, o orgulho e conseguintemente o egoísmo. Não! Algo mais simples e complicado está naquele filme, naquela vida daquele gênio...

Fazemos sessões de cinema eventuais, como é um programa de quando a grana acaba, esse even tual está cada vez mais frequente. Comentamos depois, discutimos, não raro discordamos principalemnte eu, que sempre vejo o que não está na fita... Edepois deste antigo e premiado Amadeus não fui capaz de articular palavra porque a cabeça estava cheia de pensamentos que não se traduziam na forma como tinha visto o DVD, mas em algo que de repente pesou-me no coração...
Mais que a frieza nas articulações de Salieri, mas que seu egoísmo, inveja e equívoco religioso ao fazer o pacto com o Deus dele... Mas o que me espetou? A ingenuidade de Wolfie.
A abstração a qual a musica o levava que o incapacitava de ver qualquer sentimento que não fosse puro, bonito, só a beleza, a alegria de viver/ver a vida eram válidas.
O pai que Salzburgo usufruia da grana que ele pudesse ganhar, a mulher dependia desta mesma grana, grana essa que nunca aparecia, porque ele era genio e na ânsia de ser amado,dissipava em festas, roupas e alegria o que sabia, queriam dele...

from net log em Segunda, 22 Janeiro 2007 às 13:37

(Noite Branca 1)

Noites, Erros, Acertos

Noite quente, sangue quente! É bem verdade que muitas coisas estiveram dando errado por aqueles dias. Fiel assídua da Oração de São Jorge, leitora eventual do Evangelho Segundo o Espíritsmo, frequentadora do Culto do Evangelho no Lar, no início da semana deparei-me com uma leitura que dizia sobre oferecer a outra face... Magina!
No entanto, nunca havia pensado que calar diante de alguma contrariedade pudesse realmente ter um resultado digamos, interessante. Vamos pegar leve que não sou tão religiosa quanto possa parecer... Mas algumas coisas dão muito errado porque sou vaidosa, muitas vezes quero ter razão e nem sei se tenho realmente...Eu tenho a pior das vaidades, a vaidadede dizer que não sou vaidosa... A vaidade de nos momentos de acerto, ser a verdade absoluta, essa coisa pisciana de humilde com muito orgulho!Naquele dia resolvi calar. Não era justo, não estava certo mas de vez em quando, mostrar nossa contrariedade e insatisfação exige uma decisão e certas decisões não sabemos se são acertadas até que a tomemos. Assim, cansada e pouco a fim de argumentar fiquei calada, deixei pra lá.
E foi indo. Deixamos as diferenças de lado e partimos pros eventos culturais. O ambiente mágico do CCB, o chazinho, o bolinho, o croissant... Conjecturas e imaginação solta sobre o Antonio Francisco Lisboa, ar condicionado e depois a Casa França Brasil com seu calor tão isuportável quanto excitante, música negra, figurinos exóticos. Na Cinelândia, já noite, ainda montavam a estrutura dos próximos eventos, um grupo mostrava o hip-hop mas não era bem aquilo e não dava pra esperar o que mais viria...

Papo leve, esquecemos das coisas que não valem a pena, que o dia-a-dia nos traz como a correnteza de um rio que deposita em suas margens galhos folhas secas, lixos...

Então tá! Morar no Centro tem uma coisa boa, você pode decidir não ir pra casa mesmo de pois de estar em casa...

(Noite Branca)

Dia especial!
CCBB e depois Casa França Brasil. Estava ainda meio tonta com o Aleijadinho... Pensando tanta coisa... Exposição linda e agente fica imaginando que Deus é realmente misterioso e deixa sinais por todos os cantos. Não há como não se impressionar com essa figura. Não a figura de Deus que já é por demais impressionante, mas a do Aleijadinho. De repente me via querendo saber se ele havia estudado arquitetura, porque não tinha casado, minha companheira de aventura me responde que era devido as suas deformidades, aí respondo que ele só as adquiriu aos 40 anos e naquele tempo todo mundo casava cedo... Não vi na exposição nada que matasse essas cruéis e vis curiosidades mesmo depois de ter assistido aos 2 documentários. Decido que ele não casou porque trabalhou o tempo todo! Surpreendo-me com o fato de ele ter projetado igrejas - ora, eu achava que ele era apenas escultor! Descubro que ele tinha uma equipe, nunca parei para pensar que ele não poderia ter feito tanta coisa sozinho...
Nunca vi os 12 profetas "pessoalmente" e fiquei pasma ao perceber que eles tinham deformidades como o seu criador! Ora, devo ter dormido na aula ou o mestre nunca me falou de uma fato tão relevante! Afinal, conheci Francisco Lisboa na 5ª série e mais me impressionou na ocasião o fato de ele ter trabalhado com as ferramentas atadas às mãos... Feri o pulso com um cinzel naquela tarde tentando esculpir um pedaço de madeira!(eu só tiha 11 anos)
Deus, aquele homem acreditava em Ti, e tinha certeza de que iria para o paraíso e não deixou nada pra depois, trabalhou com amor e revolta, criou aqui na terra o paraíso no qual estive ontem na Noite Branca e outro nome não seria mais apropriado... Viajante pelos ouros de Minas e entalhes barrocos, compreendendo ou tentando entender aquilo que a escola falhou ao ensinar, boquiaberta diante da fibra daquele homem, fui abordada por uma senhora que nos convidou a ir à Casa França Brasil assistir BAMAKO, uma exposição de fotos de autoria de profissionais da África e da Diáspora africana com música afro e um desfile de modas idem.
Do conforto do CCBB para a simpatia e calor alucinate da Casa França Brasil. Mas um fim de tarde primoroso! A Candelária contra as luzes avermelhadas do poente! O DJ negro e lindo, a música maravilhosa que deu vontade de esperar o desfile!
Ambiente quente, tema quente e meu sangue fervia! Era bom estar ali e na Noite Branca rever meus ancestrais em versão techno, com mix...
Depois conto mais
Em 26/11/2006

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

(Amigos (?!))

Ser famoso é bom! E não tem tanto a ver com a vaidade, pelo menos no seu lado mais conhecido. O reconhecimento espontâneo e verddeiro irriga a alma e dá corda à vontade e imaginação.
Algumas coisas são belas porque são geniais, no entanto precisamos privar-nos de dizê-las, mas ter orgulho de um trabalho bem feito é bom, mas sentir orgulho de um reconhecimento bem aplicado e maravilhoso e quem vai entender isso?
Melhor não comentar, o nosso sucesso incomoda muito mais a uma certa gama de amigos que à faixa de inimigos... Não podemos dizer que são amigos falsos, são amigos de determinados momentos e estes sempre dizem o que gostamos de ouvir, daí são promovidos a categoria de amigos quando sabemos e não queremos saber o que realmente são. São aqueles que agora estão pensando se a minha conta bancária aumentou e esperam eu passar de carro pra averiguar qual a marca e modelo e mediante isto me dirão: "parabéns!"

terça-feira, 11 de novembro de 2008

(EM FRENTE)

Então foi um tremendo sucesso. Um sucesso que não deu pra curtir. Eu acho que não sei exatamente o que estou fazendo quando me lanço nas coisas impensáveis. Uma única pessoa tocando uma produção cheia de gente, num teatro daquele tamanho. Eu confio no destino, entrego minha vida nas mãos do destino e o que diz respeito a trabalhar, eu caio dentro, não penso, não vacilo, vou ter toda uma eternidade pra descansar, já fiz tanta coisa que não gostava, porque querer folga agora quando faço o que amo?
A diferença começa a existir enquanto os outros dormem eu trabalho. Enquanto os outros passeiam e só penso... Mas teve gente que dormiu e acordou a tempo de subir ao palco e tentar tirar uma casquinha. Fiquei triste, deprimida e chateada. Fico pensando, como um ser humano pode ser tão cara de pau... E como eu pude ser tão ingenua d acreditar Enfim já foi.Fcou a festa, a semente e experiência. Na hora certa as pessoas certs se mobilizam e as erradas também.Mas há sempre alguma coisa que podemos fazer e a coisa mais certa que faço é seguir em frente.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

(15 de setembro)

Amanhã é o dia do Musica Pró-Vita. Acordei com um frio na barriga...
Estou tremendo desde cedo. Por mais que se providencie tantas coisas, muitas atrasam. Um monte de coisa dá errado. Está frio e chuvoso o tempo na Cidade Maravilhosa e penso que isso pode impedir que alguns de ultima hora saiam para ir ao teatro, por isso mesmo eles deixaram para ultima ahora... Não enfrentam adversidade e poupam seu dinheiro...
Que pena eles não sabem que num tipo de show como este nada é perdido...
Adversidade é ter uma doença que nada fizemos para que a tivéssemos...

Um amigo militante da causa gay falava sobre a facilidade ou dificuldade de conseguir conscientizar as pessoas para as precauções a fim de evitar-se o virus do HIV(ou talvez devesse eu, dizer soropositividade...).
Falei para ele que era muito bom ter recursos para se impedir uma doença, o que não acontece com câncer, que independe de tudo... Um traço tragico que acolhe pessoas de todas as idades, raças... Uma coisa ruim que gruda em crianças que nada fizeram
Não há como impedir, não temos como evitar, não sabemos ao certo de onde vem e soubéssemos de que adiantaria?

Somente a solidariedade para aliviar a dor de quem está nos braços de uma doença com a qual não se envolveu...

Amanhã é dia de show, boa sorte e longa vida a todos que lá irão!
Boa sorte e longa vida aos muitos que compraram entradas e não comparecerão, é uma pena, é gostoso estar junto sempre...
Tudo de bom e obrigada a todos que de uma forma ou de outra participaram ajudando a divulgar, até mesmo se preocupando e torcendo.
CADA INGRESSO, MUITAS VIDAS. COLABORE COM ALEGRIA!
SALVAR UMA VIDA NÃO TEM PREÇO.
SER SOLIDÁRIO É UM RMÉDIO PARA CÂNCER DO EGOÍSMO.
RECLAMAR DE BRAÇOS CRUZADOS, NÃO VAI ADIANTAR NADINHA...
A morte por bala perdida é a mesma que ronda os leitos dos doentes. A diferença é a mídia...

VEM! PRA ESSE SAMBA, VEM!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

( )

Tenho vontade de morrer.
Não vejo mais o que eu possa fazer por aqui...
E se eu doar o que tenho para os pobres,
não creio que algum deles irÁ querer.

Cansei dessa situação de problemas se repetindo ad infitum

segunda-feira, 14 de julho de 2008

(CRESCER)

Quando ele fez 15 anos eu senti como se estivesse num aeroporto aguardando um vôo que no meu pensamento aterissaria mas no meu sentimento decolaria. Chorei várias vezes durante o dia, sem saber exatamente porque. De certa forma era como se estivesse havendo uma despedida. Sentia os meus 15 anos tão próximos, que poderia contar tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Foi assim, a minha infância me visitou, inteira, toda de uma única vez.

De repente era uma saudade de algo que não perdi, mas sabia, estava prestes a perder. Aquele menino não viria mais correndo até mim. Ele nunca mais me pediria mingau na hora da novela, ele nunca mais veria novela... Talvez ele dispensasse os passeios que sempre fizera questão. Talvez eu não pudesse mais lhe fazer algum convite interessante. Ele não era mais um pequeno ligeiramente desajustado que não conseguia fazer amigos. Ele hoje tem muitos amigos. Finalmente, foi apagada aquela festa da casa de praia!Ele é tão melhor hoje do que há tempos, mas não é mais meu bebe... Ao mesmo tempo uma alegria por tudo o que ele tem pela frente, orgulho pelas conquistas e descobertas mesmo que elas não fossem mais divididas comigo. Pensar não ser mais necessária doeu mais que ter de decidir coisas difíceis.

Parecia que tudo seria pela última vez e dava medo a sensação de todas as primeiras vezes que viriam. Aquele rosto infantil criando barba, engrossando a pele. Aquela voz estridente desaparecendo no ar, como alguém que embarca pra não voltar mais. Exagero, eu sei, mas senti. E todos aqueles dias que a gente viveu sem pensar e sem avaliar cobravam agora suas notas. Sempre tem algo que poderiamos ter feito melhor. Porque no fundo por mais que tenhamos nos esforçado, sentimos um dia a sensação de que não foi o suficiente ou que poderia ser melhor? Meu pensamento me responde que nos aprimoramos a cada dia, aprendemos com os minutos que passam por mais que não tenhamos nos dado conta disso, as manhãs nunca nos encontram no mesmo lugar, nem do mesmo tamanho, o sol nos modifica como muda as cor das árvores, das flores e amadurece os grãos.

domingo, 13 de julho de 2008

(PEQUENOS PECADOS)


Essa coisa de pôr o talento a serviço da grana do sem imaginação mas com talento pra ganhar dinheiro é dose!
Tem gente que é bom pra caramba no que faz e tem gente que além de ser bom dá uma sorte danada!
Esse é o crivo do destino que abençoa aqueles que terão sucesso.
Eu nunca acreditei em sorte, eu achava que bastava ter talento, trabalhar muito e o resultado positivo, em sucesso, fama ou grana seria conseqüência.
Engane-me!
Percebi isso depois que vi o filme Match Point.
Vc viu esse filme? Veja.
Basta um segundo de sorte pra catapultar qualquer FDP ao sucesso e, abre parênteses, tem gente que é FDP mas cria oportunidades ou seria exatamente por isso que são uns FDP?
Não sei. Veja o filme assim que der. Tá na locadora, tá na net pra baixar. Eu só baixo filme estrangeiro, mas sou obrigada a confessar que comprei o Tropa de Elite Pirata e quer saber? Não me arrependo e ainda vou ver no cinema.
Pequeno pecado como voto na eleição, o meu foi apenas um, mas meus amigos me culpam até hoje pelas barbaridades gramaticais e sem-noção do Lula... Quer saber? Ultimamente me culpo também, porque foi um erro pela insistência e na ocasião eu nem percebi que se eu não tivesse votado nele, nada aconteceria de diferente. Uma gota no oceano polui o continente? Polui, sim... Então não importa a quantos filmes nacionais eu vi, nem quantos amigos arrastei para o cinema, importa que eu comprei uma mídia pirata de um filme roubado de um estúdio de dublagem e declarei que votaria no Lula. Poderia ter feito, só não deveria ter contado... Isso já deu filme também, chama Pecados íntimos. Muito bom, tanto o filme quanto pecar...
E o que você tem a ver com isso?
Fico imaginando uma pessoa e seu trabalho com duração prevista de 30 dias, sem pode enrolar, fugir tomar um café porque tem prazo para entregar. Penso que "apanho" para conviver com os prazos.
Tenho alma de artista e artista tinha que ser intuitivo, sem compromisso nos moldes antigos daqueles que morriam de tuberculose como os poetas , loucos como Van Gogh ou os dois como Mozart.
Acho que essa vida de artista regrada e tecnológica é um saco!
Hoje não vou trabalhar, vou pra praia e amanhã tudo vai sair como mágica do meu desktop...
19, setembro 2007

quarta-feira, 9 de julho de 2008

(MEU TIO)

Meu tio foi a prmeira pessoa totalmente negra que tenho lembrança de ter visto. Ele era bonito e tinha coisas diferentes de toda a família, como por exemplo, gostar de ler. É certo que ele lia umas coisas esquistias Pequenos livros de bolso, recheados de páginas de papel que me parecia pior que jornal e com tantas letras que por mais que buscasse uma figura, gravura, desenho, não encontrava.

Vinha na hora do almoço. Almoçava, deitava na cama da minha avó lendo os livros que nunca sabia quando eram substituídos por todos me parecerem tçao iguais. Eram histórias de 'westerns' que, a princípio não conseguia saber se eram boas ou não, os livros serviam-lhe para cobrir seus olhos quando dormia sem que ninguém percebesse. Após esse ritual, ele ia embora, no início levando uma carrocinha de madeira que ele puxava carregando suas ferrametas de trabalho: uma vassoura enorme e uma pá de metal. Depois ele montava na sua bicicleta e suas ferramentas de trabalho passaram a ser uma prancheta, planilha e caneta.

Ele andava o bairro todo de bicicleta, tinha um defeito físico que só percebi de crescida, assim como demorei um pouco a perceber que os seus livros eram bons de se ler, embora eu ainda preferisse, livros com folhas brancas e lisas, fontes grandes e desenhos ou fotos, ainda que não gostasse tanto de revistas e apreciasse fotonovelas. Mas estas quem trouxe para o meu universo foi minha mãe.

Meu tio era uma figura inominável. Os comenários eram de que ele na juventude era extremamente vaidoso, vestia com muito apuro um terno branco de linho e eu ficava a imaginar aquele negro tão bonito e magrinho, de terno branco ecepcionalmente bme passado e me vinha à mente, hoje, só hoje eu sei, uma imagem dessas que estamos acotumados a ver de malandro que smboliza a Lapa.

Ele tinha uma voz muito bonita, muito mais bonita que a do Nélson Gonçalves. Cantava seresta. Tinha muitos anos de casado e mais de 10 filhos. Morava numa casa de madeira que a gente tinha um certo receio de denominar como barraco. Um quintal com umas 3 casas e aquele barraco e muita criança correndo. Todos decerto modo, parecidos. Morenos de cabelos negros e olhos mais negros ainda, Todos tão felizes quanto mal arrumados e esbranquiçados de tanta brincadeira e correria. Na cozinha a louça sem lavar empilhava-se. Pela sala e quarto as roupas se espelhavam como num cenário de novela, de livro naturalista. Mas eu via como aqueles primos eram felizes! Eles tinha liberdade e faziam coisas que eu jamais poderia sonhar.

Eram raras as vzitas, mas quando aconteciam eram inesquecíveis, no entanto esses primos eram muito melhores como visitas do que como anfitriões. Com excessão de um deles, que tinha o cabelo mais liso e era o mais levado e nos visitava com mais frequencia por ser afilhado da minha mãe. Menino engraçado! Ma deixa estar os primos para lá. Lamento, mas não tenho saudades, saudade tenho do meu tio. Com tantas crianças em casa a mim não parecia que fosse um adulto vidrado em crianças e suas artes...Seria overdose

terça-feira, 8 de julho de 2008

(SOLIDÃO)


Há uns momentos de solidão por mais pessoas que estejam a minha volta. Como se fosse estrangeira,como se viesse de um país distante, como se falasse uma língua estranha. Ouvem-me e não me entendem...

Há momentos que me sinto fora do tempo, deslocada de uma vida que construí e conheço inteira. Dá um medo de abrir a boca! Encaro os olhos que estão pela frente e são tão indiferentes...

Há momentos que lembranças me assombram, invadem o meu presente e me surgem calafrios... Um desconforto em estar vivo, um preguiça de me mover. Deve ser assim que alguns enlouquecem deve ser por isso que muitos se esquecem e vivem assim, esquecidos de si, projetando-se em outros, falando pra outros que deveriam falar a si próprios, falando de outros o que deveriam falar sobre si mesmos. Esquecer-se, uma outra forma socialmente aceitável de enlouquecer. Esquecer-se num casamento, numa família, numa igreja, num trabalho em tudo que poderia ser uma outra coisa qualquer.

Eu queria ser aquela pessoa simples que vende tapioca, aquele ambulante que faz piada debaixo do sol pra todos que passam. Eu queria ser uma linha reta, contínua sem aclive nem declive, eu queria acordar todo dia igual (não importando se no fundo, lá no ouvido da alma soasse aquele apito que nas UTIs informa o fim das atividades vitais).Esperar ansiosamente o fim de semana e sair por aí vivendo um dia depois do outro como se nada tivesse acontecido. Ignorando fatos, aguardando o próximo capítulo da novela. Sem dúvidas entre Flora e Donatela.

E se eu cantasse, seria só MPB, eu não queria ter essa alma que grita rouca roquenrou, nem imaginar o pensamento do outro, nem duvidar que tenho sorte, nem ansiar por um rosto mais bonito, desejar uma alma sem dor, sem ferida, sem partida. Trocar essa alma velha que me acompanha por mais que eu troque de corpo e mude de par e fale aos amigos...

sábado, 5 de julho de 2008

(REVENDO O VÍDEO)


A mão que se arrebentou tocando violão agora se estraçalha no teclado sem compor uma única nota a não ser tec-sherec-tec-tec-tec...

Nunca se sabe ao certo quando deixamos dormir a arte nas nossas vidas...
Não sei quando decidi não mais ser artista... Se é que desisti(há decisões que a vida toma por nós). Acreditei nas palavras da família careta, da mãe repressora que acreditava que cantar num bar não era o início de uma carreira saudável, mas uma queda para um abismo de coisas que na época eu nem sabia que existiam... Verdade que hoje, esses abismos elevam, dão um ibope danado com as meninas... Verdade que tendemos temer o que não conhecemos, acreditamos porque nos convem, logo se nos plantam na alma o medo jamais acreditaremos em nós.

Muitos anos depois, descobri que toda a criança faz um microfone do fio da enceradeira, do cabo da vassoura do frasco de desodorante...
É engraçado, talvez. Mas desisitr dos sonhos é ridículo!
Pergunto-me às vezes, o que se lucra seguindo as normas, acreditando nos pais, crendo no país. Muitos podem não lembrar mas esse já foi o "país que vai pra frente"... Não foi e eu também não. Somos pacífico demais, achamos que política é complicado demais, que política é pra políticos e não vemos que os políticos são interessados demais neles mesmos para se sentirem parte de um contexto onde nós estamos incluídos...

Deixamos a política para eles e nos interessamos mais pela diversão e achamos que o trabalho é a saída... Falando com sinceridade: não consegui nada trabalhando e ainda fui trabalhar no que não gostava porque todos riam quando dizia que meu sonho era cantar Rock. E riam mais ainda quando mudei de idéia e percebi que escrever era mais fácil do que cantar, porque pode-se escrever solitariamente...

Um dia eu descobri não ter perfil para o palco...
Logo depois descobri que todos me assistiam... Acompanhavam-me como se eu fosse uma novela. Era mais fácil do que gerenciar suas próprias frustrações... No entanto bato palmas tão bem e com tanto gosto! Para mim, poltrona o lugar mais confortável de qualquer sla de entretenimentos seja ao vivo seja em celulose ou DVD. Enganam-se os que pensam que decoro o texto, que faço pose. No máximo, o que acontece é que o meu corpo chega a qualquer muito antes da minha alma. Minha alma se atrasa e só chega depois que os olhos fez todo o seu trabalho, encontrando um local para me esconder ou alguém pra me amparar.

Eu sou um vídeo de mim mesma, com um roteiro que comecei a escrever tarde demais e o maior problema é a direção...

(IMPÉRIO (20/11/2006))

Fui assistir como um presente do destino.
Estava programada pra tantas coisas, mas a minha agenda modificou-se repentinamente.
Ia à uma festa no Méier que na última hora transferiu-se para a Barra e passou a ser no mesmo dia da peça. Na dúvida ia aos dois programas, mas a peça era mais longa do que eu imaginei e ir pra Barra não era nenhum problema até que pensei num pequeno detale a volta... Deu uma preguiça... Já estava tão tarde... E depois daquele teatro, não queria outras músicas mais na minha cabeça. Queria ficar assim pensando na beleza daquelas vozes, na delícia daquelas melodias.
Império é uma peça que aborda assuntos irritantes e revoltantes de um modo que não dói. É divertida e rechada de muitos talentos. Não vi nada que não fosse bom, a não ser o lugar que sentei... Mas disso não posso reclamar, afinal 200 pessoas voltaram do teatro para casa, pois o Carlos Gomes não cabia mais ninguém!
Achei viagem o figurino, jeans estonados com aplicações de strass e galões dourados na corte portuguesa! Um tremendo bom gosto.
E as deliciosas brincadeiras com o nosso passado de corrupções, tramóias, soluções coronelescas para assuntos governamentais e td que até hoje estampam nossos noticiários
O Brasil não mudou tanto assim, mas hoje é mais divertido e nada teria sido o mesmo para nossa cidade não tivéssermos sido refúgio e "degredo" da família imperial portuguesa.
Uma detalhe que achei demais: Qdo a corte portuguesa decide retornar a Portugal, tds aparecem com mantos e capuzes negros e velas na mão dando um efeito muito bonito, mostrando um certo luto para a cidade que perderia o glamour. Quando a cena retorna com todos idos e somento D.Pedro I e a Imperatriz, a cena é clara e todos aparecem de branco, a liberdade e um regente que gostava da colônia que ele amava como a um país parecia estar ali representada.
Eu não sabia ou pelo menos não me lembro que DPedro I tinha um irmão, nem que ele por ciúmes/inveja queria ser rei. Preciso rever a história do Brasil...
Era Carlota Joaquina uma astronauta?

Obrigada meninas pelo maravilhoso presente!
A festa na Barra?
Vai ter de novo e vou bem mais culta...
Na vida nada se perde, com tudo se aprende e apreende.
Se for com Fallabela, vive-se!
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rbrasil (Quinta, 11 Janeiro 2007 às 00:26)
HOJE, OU MELHOR ONTEM O FALABELLA RESPONDEU POR E-MAIL ESTE POST DELICADEZA PURA! ELE MERECE TODO O SUCESSO QUE TEM!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

(O BALCÃO)

(foto do blog terça parte)

Lia uma crônica do Arthur da Távola.
-Caninha da Roça!
-Não tem.
-Qual?
-Caninha da Cidade.
-Cidade...
Baconista de má vontade. A crônica colada numa folha de fichário é colocada num canto do balcão.
-Põe um pouquinho pra provar.
Um olhar de suplício, de condenado ao patíbulo. Então tem que provar uma cachaça genérica, clone da famosa...
Então não eram todas as cahaças extamente iguais? Elas acendiam o fogo da churrasqueira tão bem quanto um pouco de álcool puro... E qual é o bêbado bebe pelo sabor?!
O negro alto e forte, bigode arrepiado, dois dentes faltando, um ar de sommelier, altivo, orgulhoso enquanto o líquido claro caía no copo de vidro exalando-se.
-Mais um pouco!
Torcia boca e bigode. Os dentes ausentes, faziam anunciar que a qualquer momento a língua se estalaria num sonoro aaahh indecentemente vago na expressão do eterno bebedor de cana que jamais saberemos se é dor ou prazer.

A jovem no balcão, leitura interrompida, sonhos interrompidos, lia o fracasso desenhado naqueles rótulos coloridos daquelas garrafas que viravam sempre de cabeça para baixo, derramando-se como quem derrama lágrimas sem motivo aparente. Havia melancolia nos seus olhos e o desejo de levar à forca qualquer um que interrompesse o único prazer que ainda se dava ao luxo de ter.

25/07/1992 * 03/10/1992 * 05/03/2008

sábado, 17 de maio de 2008

(Zona do Crime)



Ontem fui ao cinema...
Eu juro que queria ver "Homem de Ferro" ou Speed Racer", talvez eu esteja num "Eterno Retorno"(Friedrich Nietzsche)vai saber...
O fato é que me vi assistindo "Zona do Crime"...
Não vou negar que Carlos Bardem me atraiu.
Afirmo que outra atração é o filme estar ali pertinho e ser uma produção latina que acompanho e em algum canto da minha cabeça comparo, sem me dar conta, com os nossos nacionais.
Sim, eu sei que somos latinos a despeito da língua, até gostaria de ser um pouco mais andina, mas percebo que ninguém faz filmes como fazemos-isso, nem no bom nem no mal sentido, apenas no sentido que brasileiro tem jeito único de imprimir a película e gravar vídeos...
Tenho sempre a sensação de estar diante de uma doce e maravilhosa irresponsabilidade quando vejo moverem-se nas telas as nossas carinhas tão conhecidas e as que não são acabam por assim ficar. Mas a grande responsabilidade do meu ingresso computar para o histórico de audiência do filme é das malditas resenhas!

"Zona do Crime" (La Zona), o filme é bom, é ótimo. Mas dói. Era um filme mexicano e logo na 1ª cena que lembro, vejo... Cercada de um muro presidial dotado de concertina e tudo, uma favela...
E eu lembrei de um certo nosso ex-prefeito cujo sobrenome era um título de nobreza que aventou a possibilidade de aqui no RJ, contruir-se muros que separassem as favelas dos condomínios.Você lê Allan Kardec? Pois é. Imagina a cara que fiquei no escurinho do cinema.
Fala-se tanto de tanta coisa que me pareceu perceber em mim de repente que favela é um produto made in brazil... Como que naquele filme mexicanos tinha uma favela???!!!!

PAUSA PARA O TRABALHO - DEPOIS EU CONTINUO

O cenário me pareceu por demais familiar. Surpresas e choques não param aí. De um lado do muro e concertinas um condomínio de casas de luxo. Daquelas que só vemos na Barra ou (Malibu?).
Um assalto frustrado por uma velhinha aparentemente miliciana deságua em vários crimes de morte porque os outros crimes vão se sucedendo ao longo do filme que leva nossa emoção por uma montanha-russa.

Tem morte acidental com direito a arrependimento, tem morte proposital, suborno emocional, mãe da favela querendo o corpo do filho, despertar de consciência, adolescente babaca, diferença social entre adolescentes,truculência,questionamento a respeito de se armar cidadãos,indecisão, decisão,orgulho, vexame, amizade, senso de justiça e muita, muita sensação de impotência.
Correria, mentira, arrogância, manipulação política, desconfiança, autocracia, espancamento de mulheres e um linchamento.

Os seres em grupo protegem a si, ao seu status quo, seu espaço e seu orgulho. Existe uma polícia interna, particular do condomínio,seria de bom tom não confundi-la com milícia e não é apenas uma guarda particular. E para que um homem idoso que, num ato de legítima defesa mata um policial não seja punido e, mais que isso para que a polícia não "interfira" no bom funcionamento da ZONA (como é chamado o condomínio)corpos são ensacados, jogados no lixo, a viúva enganada e pressionada a mentir.

Enfim, o filme tem tudo que os jornais trazem para o nosso café da manhã, aquilo que quando não lemos, não conseguimos nos furtar de ouvir nos ônibus ou na pausa do café, só que organizado, numa ordem a dizer que cada um tem um lado seu para defender e e quem está do lado mais confortável vai fazer o que estiver ao seu alcance para defendê-lo ainda mais.
O filme levanta questões se você for questionador, se você é pessimista a mensagem que ele deixa vai te satisfazer. Se você é otimista, precisará vê-lo mais de uma vez e usar a imaginação para fazer o filme que diretor e roteirista não fizeram.BR>Eu que só queria um filme que me distraisse os neurônios, tive que ir pro boteco.

Poderia dizer que qualquer semelhança com fatos e locais brasileiros é mera coincidência, não fosse o poder do dinheiro, a ineficiência das armas, a humilhação da pobreza exatamente as mesmas coisas em qualquer parte.
Poderia dizer que aquelas pessoas são apenas personagens, não reconhecesse neles alguns daqueles que transitam muito perto e uns tantos que freqüentam minha TV.
Não percebesse tão familiarmente o egosísmo do "isso não tem nada a ver comigo" e a idéia que certas coisas só acontecem com outros.
Poderia dizer que há saída...Assim, por ter esperança que fosse apenas um filme, torci o tempo todo pelo pequeno, frágil, magro e assustado herói.Num dado momento da narrativa percebi que só um milagre poderia salvá-lo, mas sei que milagres ocorrem em superproduções de superpaíses, nunca num filme mexicano...

Valores como amizade lavam nossa alma em determinado momento.
A inocência do jovem que crê na justiça e sua tentativa desesperada de salvar um novo e coitado amigo que culmina com a sua morte bárbara, nas mãos de pessoas cuja a ganância de manter o que têm a despeito do que são e o que fizeram não permite que percebam que se trta de uma criança e, assustada.
Eles precisam de um culpado mesmo que este seja inocente...
Decepções da descoberta que o pai não é herói, muito pelo contrário e amargura com que um jovem pode enxergar suas oportunidades não são maiores que sua ética, seu brio, sua sensibilidade, sua solidariedade e uma correção que confirmam que o homem é fruto do meio, pero no mucho...
PAUSA PARA DORMIR - NÃO SEI SE CONTINUO...

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Fui ao cinema, até aí, novidade nenhuma, vou toda semana...
A 1ª vez que fui ao cinema vi "Meu Pé de Laranja Lima" no Cine Regência em pleno Largo de Cascadura. Um cinemaço, foi o que me pareceu naquela idade. E o filme que filmaço! Saí de lá entre o encanto e a perplexidade, apoplética!

O ator era um menino loiro e lindo, mas tinha uma vilã que nenhuma criança gostaria de ter por perto, era Jandira, vivida por Eva Wilma. Do outro lado do time, uma atriz de rosto doce vivia uma personagem igualmente doce e boa mas não forte suficiente para evitar as maldades da Jandira. Lembro ainda do Aurélio Teixeira que fazia um tipo a princípio mal-humorado que se transforma em amigo do guri loiro,o Zezé, que fugia de uma realidade dura e incompreensível ao montar num galho de um certo pé de laranja, este era o seu cavalo que o levava daquele lugar triste onde os bons não tinham defesa...

Não lembro quantos anos eu tinha...
Não lembro ao certo o nome da personagem boazinha, recordo vagamente que era um nome esquisito...
Mas lembro do pé de laranja lima, lembro do desfecho cruel do filme, Da morte do portuga mal-humorado bem quando ele se torna bonzinho e faz o Zezé feliz.
Lembro da vilã com nome e tudo e recordo ainda que a minha afinidade veio imediata, substituindo o pé de laranja por um cachorro chamado Big. Era o Big que me levava para longe das enormes torturas de, como menina, já ter que aprender a lavar louça, "passar uma vassoura na casa" e o pior de tudo: estudar Matemática!
É, minha infância não foi mole não!
A casa da minha infância também tinha o time dos bons e maus e assim sendo, era o Big que tinha o dom de me transformar em herói. Ele ouvia meus problemas e sinalizava com cabeça mansamente esquerda/direita com um olhar que dizia:
-"calma! Isso passa. Eu entendo. Mas você vai crescer logo..."
Bem, depois deste cinema muitos e muitos vieram, aqui e em outros países. Entrava nos cinemas mesmo sem ter legenda em português, porque cinema é muito mais que um filme... Ate porque, em certas situações não basta entender o vocabulário para compreender... Terminada a sessão as pessoas saíam com opiniões totalmente diferentes sobre o único filme exibido e a minha era mais uma, independentemente de ter entendido o idioma, compreendido o filme ou não...
A gente vive assim, todos olham os mesmos fatos mas uma vez ultrapassadas nossas retinas, a história muda.Vemos todos coisas mesmas que nunca são iguais...

PAUSA PARA O TRABALHO - CONTINUO DEPOIS

sexta-feira, 16 de maio de 2008

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O meu sobrinho me mandou um trecho de texto atribuído a Clarice Lispector.
Digo atribuído porque, ponto número um, meu sobrinho jamais foi um leitor de livros. Acho que não foi tão bom aluno porque o extra-classe sempre é muito mais interessante que qualquer conteúdo curricular.
Ele se tornou um leitor depois de ter descoberto o Orkut, mais precisamente, após descobrir o envio de scraps e, para ter mais objetividade, ele passou a ler de verdade, depois dos programas que enviam scraps... Então, ele precisou pesquisar bons ou belos textos para enviar às pessoas e impressioná-las.

São assim quase todos os oriundos de Jacarepaguá da safra - 60/70 - que iam à escola felizes porque, afinal ela era a melhor diversão do bairro. Ponto de encontro dos colegas, a escola era o local de diversão obrigatório enquanto que a igreja era a diversão espontânea porque possível. Fiquei católica porque na igreja podia aprender a tocar violão de graça e de quebra ter parceiros para as composições.... Escola era o local de combinar as brincadeiras e conhecer os pais e avós dos amiguinhos e aí a gente descobre que em assuntos escolares como na vida social, não basta saber, precisa apenas conhecer....

Interessante observar que hoje em dia o "conhecer" tem um status superior ao "saber". No meu tempo (rsrsrsrsr) saber era mais que conhecer. Quando o conhecimento é muito se faz necessária a ajuda poderosa do advérbio de intensidade: "conhece profundamente", "conhece superficialmente" ou "vagamente", ou conhece "pouco" ou "muito pouco" ou "quase nada" . No entanto, "quem sabe, sabe e quem não sabe bate palmas"... E aí entra o ponto número 2:
Na internet atribui-se a autoria e nem sempre essa atribuição é confiável.
Já vi trechos de Drummond atribuídos a Mário Quintana e trechos de Quintana assinados por Fernando Pessoa. Talvez pesquise-se tanto em busca do texto ideal que os caçadores de textos on line acabem por ficarem confusos, do mesmo jeito que ficamos ao misturarmos tudo nas aulas de literatura...
Literatura é chato para quem não consegue perceber que com ela se pode ter 98% de sucesso na paquera.
Hoje percebe-se que uma boa conversa, mesmo que não seja originalmente nossa, possa render uma namorada e tanto, mantendo algumas tantas na fila... O que não percebemos é que essa aliada poderosa na conquista através do intelecto sensível e uso de palavras é Literatura!

Um dia ouvi alguém reclamando muito de um outro alguém que não largava a internet e o pobre do reclamado na verdade estava lendo um noticiário num site de esportes.
Pergunto a você que é minha amiga e suponho ser tão inteligente quanto eu imagino que seja: Ler jornal é bacana, ler livros é tudo! Discutir literatura/obra literária/ autor literário ou simplesmente o assunto abordado que se leu, é o máximo! É o supra-sumo da cultura, um livro debaixo do braço dentro do ônibus ou metrô.
Então, qual é o problema de se ler na internet?

A pessoa que enfiava a cara num livro e só tirava quando chegava na última página, não faz exatamente o mesmo que alguém que navega de site em site?
O menino que ontem comprava revista de "mulher pelada" escondido, é o mesmo que navega pelos sites de "mulher pelada"?
Eu, particularmente, talvez por birra quem sabe devido a idade ou por simples questão de gosto e história, prefiro pegar no papel, amo cheiro de livros novos e jornais frescos. Gosto de ter que lavar as mãos depois de uma boa leitura, e me apoiar na pia e olhar minha cara no espelho e conversar comigo mesma sobre o que eu li. Além do mais, meus olhos ficam cansados de ver a tela iluminada e eu gosto de levar o texto pra onde quer que eu vá.
Gosto de me deitar lendo e uma vez na cama, virar-me pra lá e prá cá buscando preservar o livro, buscando a maneira mais confortável de ler.
O ritual de acender a luminária de cabeceira e baixar o livro da frente do rosto quando alguém me chama faz com que me sinta gente e importante ! A nete deve ter lá seu charme além da funcionalidade, por enquanto penso ser muito mais glamuroso ir à livraria, à banca e nos tempos bicudos dar uma fugidinha e sentar nas livrarias cheias de charme que disponibilizam sofás e chás. Internet com Literatura? no máximo para saber sobre os novos lançamentos, seus preços e ouvir alguns poetas declamando-se no You Tube.

Passei uma fração bem grande da minha adolescência indo pro BarraShopping filar uma leitura na Saraiva ainda não Mega Store.
Ficava também pela pracinha do shopping (uma que tinha uns feijões gigantes) lendo algum livro de alguma obscura biblioteca municipal ou estadual.

Eu morava em Jacarepaguá e isso pressupunha preguiça de ir ao Centro do Rio que tinha bibliotecas iradas, tinha preguiça de um monte de coisa. Jacarepaguá tem a natureza de município e seus habitantes têm a consciência de que se trata de um país, talvez um mundo, talvez um sonho...

O cidadão Jacarepaguense (?) não é um ser humano igual a nenhum outro de qualquer outro lugar do planeta e ele não tem lá muito o hábito de freqüentar por aí bairros estranhos, distantes, cheios de violência...
Quem morava por lá na nessa época queria sossego, churrasco, feira e finais de semana com família e amigos regados a cerveja e vinho da Adega do Ramos. Portanto, biblioteca para teen, era a da rua Dr. Bernardino, ali na Praça Seca, que apesar de ser no mesmo bairro, incluía pegar um ônibus e andar nele 20 minutos. Já era um passeio, mesmo que a biblioteca não fosse nenhuma maravilha... Esse é o problema ou quem sabe a solução: Pode-se fazer de tudo em Jacarepaguá, viver, casar-se e morrer sem jamais tirar os pés do bairro-cidade que sempre fez limite com ele mesmo até o dia em que a Barra deixou de ser a praia particular dos seus moradores. Sim, a Barra sempre foi nossa! Como os filhos que são nossos até acharem que cresceram, que são independentes e que não precisam mais da família original...

Então que eu tenho este histórico perversamente provinciano e você não tem, como minha amiga recente o direito de perguntar como que com essa lírica formação eu me tornei esse tipo de pessoa de língua ferina e dedos ágeis que hoje sou. Até porque quando você for minha amiga de anos (pré-requisito seu,você entenderá perfeitamente bem sem que eu precise me explicar...

É fato que vizinha à biblioteca citada existia a "Play House" e na entrada do "bairro município", precisamente na descida da Grajaú-Jacarepaguá, dando boas vindas aos tolos e teens havia a "Café Creme Discoteque", não vem ao caso explicar porque a minha preferência pela literatura à farra, se hoje sou um ser notívago e isso não surge em ninguém de uma para outra. Não cabe nesse mail, já que depois de tantas voltas o que quero é te repassar o fragmento de Clarice ou de quem quer que ele seja. Você além de me parecer uma conhecedora de Clarice muito mais genuína do que eu, o texto tem muito a ver contigo.
Tem a ver com o que você ultimamente não tem sido ou fundamentalmente com o que você é e guardou para não mais ser.
Tem a ver com o que percebo que os últimos fatos das nossas vida te chamam a ser e, você, vagarosa, lentamente com uma preguiça jacarepaguense, insiste em nâo ver ou em adiar e pedir tempo pra pensar e analisar....

O meu sobrinho de Jacarepaguá, zero em literatura, cujo último livro lido deve ser aquele da série "Para Gostar de Ler" dos anos 70,porém com mais horas de cama do que urubu tem de vôo (e acho que ele só perde em milhagem de cama para o tempo consumido, gasto ou ganho diante do micro) eis que surge com essa pérola de texto, filosofia e verdade.
Parece em princípio receita de bolo ou dica do Paulo Coelho, mas essa é uma característica do novo milênio: deixar tudo meio igual e reduzir o percentual de valor de todas as coisas...
Esse mundo atual fragmenta a gente, segmenta tudo e nomeia o que vê pela frente, deve ser pra facilitar a indexização, otimizando a busca no Google...

Tudo na vida tem um preço. Eu não gostava de me ver transformada em número em algumas ocasiões, como por exemplo na locadora... Mas aprendi a reclamar menos e aproveitar mais. Motivo pelo qual te encaminho o texto que recebi como scrap no orkut e não te repassei por lá por motivos óbvios.
Precisava te encher a paciência com tanto texto, histórias ridículas a fim de alimentar essa amizade improvável e hipotética apesar de a cada dia mais real.
Eu preciso cuidar do patrimônio que será localizado um dia pelos arqueólogos do futuro quando vasculharem as ruínas da internet 2.0...
Eu preciso regar o sonho da minha porção Van Gogh. Já que não fui o poeta romântico e não morri romanticamente de tuberculose, nem fiz sucesso, nem publiquei livro, tenho que ter algum tipo de musa e dar algum tabalho pros pesquisadores do futuro.
Será que não vai haver uma saturação da Web de tanta coisa não acabada trafegando por aí?
No mais, vc é única pessoa que entende essa minha veia.

Você sabe que se eu tivesse tido filhos de verdade não teria essa inquietação, mas precisa haver no mundo aqueles com tempo de para pensar, filosofar ainda enquanto jovens com todo o teor de inquietação, explosão e falta de medo de encarar a vida.
As pessoas crescem depois dos filhos, amadurecem trocando fraldas e preocupando-se com a cria.
Os estéreis e inúteis precisam deixar algo para a posteridade, nem que seja o recalque de não ter cumprido com a real obrigação dos mortais, seguindo as ordens de Deus: "Crescei e multiplicai-vos "...
Ah, eu não vou deixar nenhum ser com os meus traços e não haverá fiapo do meu DNA por aí.
Nada de covinhas e carinhas de bolacha tentando entrar de graça em alguma festa ou show de música.
Nem olhos grandes e escuros se admirando com Robson Crusóe e franzindo testa com Machado de Assis...

O mundo vai ficar mais chato sem a minha presença e um pouco mais vazio sem a minha influência e certamente mais pobre de espírito sem os traços da minha humorística modéstia... O meu humor negro não será transmitido a ninguém a menos que eu consiga gravá-lo em algum lugar para que seja descoberto um dia, quando o país esteja tão perdido em desgraça que valha a pena comprar um texto meu. Será que ainda serei a salvação nacional?

Ainda bem que você parece ter colocado gente decente no mundo enquanto isso, cuido de dar consistência ao meu legado daí, você pode viver as palavras de Clarice, pois que a sua tarefa agora anda por si mesmo e você apenas gerencia a paz do seu lar.

E depois de ler tanta loucura, respire fundo, leia Clarice logo abaixo e me diga se o texto é genuinamente de sua autoria, como um quadro perdido no tempo que só especialistas podem comprovar sua autenticidade.
Feito isso, releia o texto e pense: poderemos ser colegas de classe na faculdade de Filosofia, daqui a 5 anos.
A essa altura do campeonato, estou mais pra Van Gogh que para Gougin, mas não se preocupe, pretendo manter-me distantes das lâminas e armas de fogo e muito perto do tipo de literatura que ninguém ousa fazer. Atrás de um descompromisso porque ja cansei de me comprometer.

Beijo grande, Sucesso Sempre

Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas."

(CLARICE LISPECTOR)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

E DAÍ?

Música Déjà Vu - Pitty
Os índios viviam em grande número no Brasil, este país era a terra deles.
Um dia um barco, uma caravela, um vento, uma rota equivocada, uma mentira histórica, não importa; o fato é que um monte de gente estranha e muito vestida, possivelmente mal-cheirosa chegou e isso mudou todo o curso do universo indígena.

Minha professora de história na 6ª série fez um comentário que jamais esqueci: Que "os portugueses pelo menos pouparam nossos índios enquanto os espanhóis dizimaram todos os que encontraram"...
E daí?
Que diferença pode fazer, ser dizimado ou ser subjugado?
Engolir espírito abaixo um Deus desconhecido, vingativo e assustador que não nos deixa andar pelado, como se tivesse vergonha da sua criação.
Ter que pagar pelo fruto da sua própria terra.
Ter que chamar alguém de senhor quando se pensava que todos eram irmãos...
Ter que acreditar que todas as imposições feitas pelos brancos barbados emanavam desse deus desconhecido...

Índios espanhóis eram mais evoluídos, trabalhavam os metais, sabiam do ouro que tinham, faziam sacrifícios e a riqueza era para os seus deuses. Tinham construções perenes que hoje nos contam da sua trágica história e agonia.
E daí?
A gente não lembra desse contexto histórico todos os dias, mas a gente sabe que o ouro e o poder trazem sempre a agonia de alguém, a gente vê isso todos os dias, ou pelo menos a cada dia esse fato se mostra e nos expõe.

Os negros estavam na África, vivendo a vida deles e um dia chega um navio e das suas entranhas saem homens pálidos e doentios, caçadores de homens negros (que viraram fortuna mas não valem nada),laçadores de homens negros que jamais poderão ser felizes de novo. São bravos e valentes mas quem resistiria a tanta tortura?
Eles não sabiam mas o poder que antes era ouro e título de nobreza(acho que aí perdemos toda e qualquer nobreza), naquele momento era a lei do mais esperto, do mais interessado em aumentar o seu tamanho subindo em cima dos outros.
Uma nova nação brasileira havia se formado e o seu sangue azul era adquirido no mercado em grandes transações, eram preciso encontrar novas formas de amealhar respeito.
A riqueza que um dia fora ouro, antes de se tornar papel-moeda e níquel, seria ainda sangue e hoje é apenas palavra e vestimenta. Nunca o dinheiro foi tão impalpável, nunca fomos tão levados pela aparência.
Isso é história e história até aqui tem sido o caminho da nossa civilização...
Essa história que passa feito inundação, como um rio caudaloso e violento arrastando o que acha pela frente, ou melhor não acha, leva tudo sem ver...
Derrubaram-se florestas, matas inteiras e espetam no seu lugar construções de gosto duvidoso. Não basta construir para viver e abrigar, tem que ostentar.
Criamos nossos filhos preocupados com o que terceiros dirão a eles, não queremos idéias estranhas na cabeça dos nossos rebentos mas será, que avaliamos se nossas idéias são dignas de serem transmitidas?

Há no centro de tudo uma certa resignação: é o mundo moderno, o que se há de fazer?
Mas essa resignação fabricada só é concreta quando nos favorece...
O direito humano é tão mais humano quanto aponta pro nosso lado.
O chicote, lamentavelmente, só dói numa das sua pontas. O grande lance da nossa grandiosa civilização, é manter o seu cabo virado sempre para o nosso lado, minha professora da 6ª série, foi a primeira a me dar a lição do que é o poder, que ser poderoso não é uma questão de opinião, é um ato de concordância, anuência com o que? Qualquer coisa que proteja, única e exclusivamente a você mesmo.

Continuamos tripulação de caravelas, conquistadores que não se importam com o valor da conquista nem com o ônus do conquistado...
Embarcamos num ônibus sonhando com o carro. Compramos o carro, sonhando com o carro zero. Compramos o carro zero sonhando com o turbinado, o flex, o importado, o maior, o de luxo o mais bonito.
Não gostamos do patrão mas sorrimos pra ele.
Não gostamos do chefe, mas elogiamos a roupa dele.
Admiramos sua posição, seu lap top, seu blue tooth, suas viagens seus fins de semana.
Sua mulher. Sua vida que estamos morrendo pra tentar um dia ter.
Seus filhos que comem o que os nossos talvez jamais venham a conhecer.
Admiramos próximo ou dentro da inveja numa divisa com a apoplexia.
Conspiramos em espírito ou pensamento, ofendemos a nós mesmos...
Concordamos em silêncio participando do que não queremos:
"é o mundo moderno, o que se há de fazer?"
Nos matamos para por o filho na melhor faculdade e sequer percebemos quando ele começa a matar aula.
O seu aproveitamento não é tão importante quanto o orgulho de dizermos o que estamos oferecendo a ele.
Contar pro amigo que o filho vai pra Harvard, que ele é inteligente, que ele é demais e ele volta de lá como um rio caudaloso que envolve e encharca tudo o que encontra pela frente.

Tenho uma ligeira impressão de que quando Deus e Lúcifer partiram pro duelo, Deus não foi feliz na escolha das armas...
Deus escolheu o amor e Satã preferiu o orgulho.
Realmente temos esse traço genético trágico do Criador: consideramos muito mais a nossa posição que o real temperamento de nossos filhos...

domingo, 6 de abril de 2008

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" O botão desaparece na flor que desabrocha,como se ela o negasse;da mesma forma, o fruto coloca-se em lugar dela como se a existência da flor fosse falsa. Essas formas não apenas diferem, mas rejeitam-se como incompatíveis. Porém não só se contradizem, como uma é tão necessária quanto a outra, e significa a vida do todo."
HEGEL

(...)É preciso não sucumbir quando naufragam.
Que mão nos segura à margem? Talvez a crença de que tudo faz parte do mesmo fluir: amor e solidão, nascimento e morte, entrega e decepção. De que algum sentido existe - o essencial, que nossa inquietação procura."


(...)"O artista guarda a visão mágica da infância quando o real e o imaginado convivem sem problemas. As entrelinhas - mais importantes do que as linhas - espelham essa dança de máscaras e desvendamentos.

Criar personagens trágicos não significa que o autor seja pessimista: muitos humoristas são calados e deprimidos. Nem sempre a filosofia de meus personagens tem muito a ver com a minha, nem vivo suas trajetórias. Mas sou mãe desses que dormem dentro de mim como filhos possíveis, sementes com sono do fruto.

(...) algum sentido existe - o essencial, que nossa inquietação procura."

LIA LUFTY em O Rio do Meio

sábado, 5 de abril de 2008

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Acho que sempre fui uma boa criança. Me contentava fácil com qualquer coisa. Mas os adultos são insaciáveis e viviam reclamando do meu humor mutante, do meu "bico" quase constante. Não importava o quanto eu ficasse quieta, postura boa para eles era eu estar com a cara enfiada nos livros, de escola, note-se bem! E como eu amava o meu livro de português da 4ª série recheado de crônicas de Rubem Braga e Fernando Sabino! Poemas de Drummond e Cecília, umas pitadas de Bandeira! Mas o auge foi quando me apresentaram Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães.

Eu era capaz de passar um dia inteirinho lendo. Comprar livros não era muito fácil, diria que era impossível. Mas eu conseguia muitos "no lixo" dos patrões do meu irmão que embora não lesse muito ou talvez nada, sempre que via um livro para ser descartado levava pra casa. Depois tornei-me sócia de uma biblioteca do bairro e guardava em segredo a minha expectativa de ir um dia à Biblioteca Nacional - Céus! Eu tinha uma foto da BN recortada da revista! Guardava escondida como se fosse a foto da minha namorada e eu, um soldado no front; ou como uma recém-casada que perde o noivo para a guerra na noite de núpcias e admira-lhe o retrato com desejo e sem saber o certo quando o amor se consumará. Era uma estrutura inimaginável, um templo, ao meus olhos de menina perdida numa varanda improvável de um bairro complicado e distante. Acho que as pirâmides egípcias não me fascinavam tanto quanto a fachada da Biblioteca Nacional que eu namorava naquela foto recortada de revista.... Não tinha menor idéia de como chegar naquele templo e mesmo depois que aprendi, faltaria ainda muito para que eu pisasse lá pela 1ª vez, posso, adiantar que ate hoje isso ainda não aconteceu...
O fato é que lia tudo o que me caísse às mãos e quando nada caía nelas, lia os verbetes do dicionário do MEC, o único livro respeitado naquela casa.
E quando na escola conheci o Simbolismo, alguma coisa mudou e eu nunca soube o que exatamente. Percebi que o poema era especial quando fruto de inspiração, porém saber fazer um poema era demonstrativo de competência, capacidade, fazia o poeta verdadeiro ser um poeta de verdade. Juntando-se a leitura ao conhecimento de estilos e técnicas literárias, surge algo que desafia a nossa alma a repetir a viagem que os antigos fizeram. E se eu não admirava Olavo Bilac, exceto o poema "Ouvir Estrelas", cmecei a ver sentido em "limar o poema" até que se tornasse simbolista, "engastando-lhe o precioso rubim"- Uma coisa boa na escola que só entendemos quando passa é justamente a obrigatoriedade conhecer também aquilo que não gostamos... Eu me via na torre de Ismália. E comecei a sentir-me simbolista no alto da minha torre de marfim! Claro que os temas se misturaram, mas nunca esqueci o meus exercícios para chegar à aliteração perfeita. E de poeta transloucada, incendiária, implicante, explosiva, passei a estudante de rimas, métricas e palavras, admito que amava muito mais a métrica que as rimas as quais vejo com reservas até hoje (pra rimar tem que ter um talento de Vinicius). Nada me soava mais modernos do que Drummond e sua simplicidade refinada a falar de tudo e emitir opiniões,ele abusava da rima e da ausência dela e era o tempo todo, genial! Um espelho tão grande pra alguém tão pequeno... Sozinha, sem incentivo, nesta ocasião eu tinha a minha intuição, um livro de literatura e o gosto pelos dicionários, não sonhava ser escritora e ninguém vira poeta, um poeta se reconhece na primeira torcida de nariz que o mundo lhe dá.Nascemos poetas, como nascemos seres humanos e nem uma coisa nem outra nos isenta de crescer pelo contrário, são pré-requisitos do gênero... No entanto o que o meu poema perdeu de selvageria, ganhou em poesia propriamente dita. Deixei de discursos poéticos, prosas disfarçadas em textos de linhas quebradas pra aprender com os mestres e hoje sei que aprendi muito pouco. O reinado do poema foi transitório, porém consistente, mas o que sobrou dele foi a emoção de um dia ter tentado sozinha fazer algo de grandioso, mesmo que para ficar oculto no anonimato da minha timidez e nas críticas familiares. Não, a Rosa do "Feijão e o Sonho" não era uma megera, tipo de bruxa dos tempos modernos que Orígenes Lessa criou. Ela estava ali,pertinho, dormindo no quarto ao lado, fazendo comício para que todos me convencessem a estudar cada vez mais matemática...
Antes que me perguntem: Passava de ano por milagre, "puxei"uma única recuperação em toda a minha vida de estudante

sexta-feira, 4 de abril de 2008

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Desde menina gostava de escrever, mas só descobri a poesia quando ao fazer um texto enorme em um só fôlego e mostrar a uma pessoa, esta me disse que se tratava de um poema, pois tinha rimas por todos os lados. Então enveredei pelos caminhos da poesia e já naquele tempo tinha traços de uma compulsividade hemorrágica para as palavras. Nunca ficou claro se escrevia porque falava demais ou se falava demais porque não tinha incentivo pra escrever. Sei que fazia os dois muito, demais.

E passei a escrever poemas e me aplicava muito nisso. No início achava que o poema tinha que seguir o caráter caudaloso do meu raciocínio. Cantava loas aos poemas rústicos, naturais que chegavam aos olhos do leitor do jeito que saíam da minha caneta. Dizia que poesia era emoção e como tal deveria surgir em palavras tal qual surgia no nosso físico fosse em forma de lágrimas, fosse como gargalhadas. Eu, na verdade nunca tive um sorriso intermediário entre a minha gargalhada e o meu choro. Numa linha com duas pontas eu não raramente sucumbia à terceira - a revolta. O clamor adolescente, estudantil, operário, o poema crítico e social. Era na ponta da minha caneta que desempenhava meu maior papel, desancava o mundo, sacudia com a instituição familiar dizia o que pensava, xingava meio mundo sem um único palavrão e todos os que liam aplaudiam! O poema me trouxe pela primeira vez o gosto da vaidade, o tesão do c´lelebre mas o que mais me agradava, ali, as pessoas entendiam o que eu falava e paravam para ouvir. Escrevendo eu fazia as pessoas terem tempo pra mim, menos a minha família é claro...

E assim o poema foi eleito o meu estilo. E assim me auto-intitulei poeta e assim pela primeira vez senti que poderia ter algo pra fazer no mundo. Achei um espaço! Eu era feliz quando as pessoas me pediam pra escrever algo pra elas. Eu me realizava fazendo além das minhas próprias redações,as redações pros colegas de colégio. Eu não tinha namorado, nem precisava, conquistava todos com os poemas nos bilhetinhos das amigas. Eu sentia por elas coisas que hoje sei, nem elas mesmas sentiam... Eu fui muito mais feliz que elas, pois todos aqueles garotos eram meus e mais aqueles que quando me procuravam para namorar eu dispensava. Sempre foi mulher de príncipes encantados e estes têm que ter por princípio me conquistar, jamais me solicitar. Ficaria comigo aquele que chegasse no auto da torre, onde eu ´princesa das letras entre parágrafos me escondia para viver melhor o que outros estavam a viver de maneira tão comum e normal... Eu nunca fui muito normal, qual escritor, poeta, artista seria? A missão da sensibilidade é justamente nos alijar da normalidade e reordenar os pensamentos do mudo...

Escrevia escondido da família. Certa vez feliz com um poema, achei tão bonito que mostrei para minha mãe, que me disse que eu deveria estar estudando matemática em vez de "fazendo versos"... O meu dom literário só lhe era benvindo nas ocasiões de escrever cartas para um tio que morava distante e quando fazia os cartões de aniversários de algumas pessoas amigas da família, é claro. No mais escrever bem só era importante, no que dizia respeito à beleza da minha caligrafia, dom apreciadíssimo por minha mãe e os demais, com a ressalva que a letra da minha irmã mais velha era a mais bonita por ser graúda e fácil de se ler, eu, talvez ainda devesse ter um caderno de caligrafia... Levei algum tempo treinando a minha caligrafia até o dia que percebi que não era o mais importante pra mim, somente pra minha mãe. Então...rsrsrsrsr... continuei treinando até que comecei a escrever com letra de forma...

Passava noites em claro, escrevendo no escuro, numa varanda com uma enorme mesa. Era bom, havia a luz da lua, o contorno soturno das árvores, a melodia do vento, a companhia de um certo cão pequinez da minha avó, que era analfabeta e eu nunca entendi como alguém podia passar toda uma vida sem entender o que sgnificavam as letras e palavras... Claro, nas noites de inverno havia o frio, a chuva fina, mas tudo compunha o meu cenário e em delírio escrevia e me via morrendo de turbeculose por uma gripe mal curada adquirida naquela noite essa imaginação tinha dois finais:
1- A minha familia descobria todos os meus manuscritos e com ódio por eles (os manuscritos, é claro) serem os reponsáveis pela minha morte, tocavam-lhe fogo do qual saíam labaredas azuis.
2- A minha familia descobria os textos. Um eles levavam para alguém que levava para uma editora, eles eram publicados e minha mãe receberia uma graninha com a qual ajudaria um orfanato ou um lar para idosos. Porque se ela desse o dinheiro dos meus poemas para qualquer irmão meu, com certeza eu voltaria do túmulo para escrever uma história de terror daquelas jamais lidas na face da Terra!
(ouve-se estrondosa gargalhada da adolescente rouca e louca no além-túmulo HAHAHAHAHAHAAH) A VINGANÇA DO POETA! Hahahahahahahaha!