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domingo, 31 de janeiro de 2010

AVISO

O CONTEÚDO DESTE BLOG FOI TRANSFERIDO PARA O BLOG:
Casa de Fadas sob o marcador O Reino Secreto.

Voltaremos aqui (não muito) em breve com novidades. Mas voltaremos só para aproveitar mais um pouquinho o cabeçalho do blog....
A proposta do reino Secreto era anotar lembranças de infância e coisas que acontecereram no passado sem que muias pessoas ficassem sabendo. Escrever sobre coisas que não consegui falar, pois foi assim que comecei a escrever: A caneta ia onde a língua não alcançava.
Mas sinceramente? Foi barra.Os serviços oferecidos pela net, muitas vezes complicam mais que ajudam. Por exemplo, eu não queria que este blog estivesse linkado ao meu nome. Porque, pra facilitar a vida da minha escrita, devido a aproposta do blog, oras!
Tem certas coisas que não há problema algum em se dizer, mas é melhor que não se saiba que foi que viveu aquielo que está sendo dito sob pena do assunto ser editado inconscientemente. Assim, acho que fracassei com este blog e tenho outros planos para ele. Aguardem!

Aproveitando a oportunidade fique em dia com Rozzi Brasil:
rozzibrasil.wordpress.com - V
casadefadas.blogspot.com - Só vendo pra conhecer
exoticum.blogspot.com - Comentários ácidos. curtos e muito mau humor
escrevendoprapensar.blogspot.com - Crônicas publicadas mensalmente na Revista S!
ariedades e amenidades

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

(Ler, Escrever e Pensar)

Essa imagem me lembra a Leticia sabatela depois da cena com a Cristine Torlone...

São 4:18 da manhã de segunda-feira. Eu não consigo dormir. Depois de passar uma semana em casa numa quarentena de 10 dias recomendada pelo médico, meu fuso horário está mais do que invertido e desalinhado por pura falta de parâmetro com qualquer trópico que seja...

Andei sim a dormir durante o dia, coisa que me deixa de mau humor. Comendo tarde e sei que serei o ser mais improdutivo profissionalmente falando.
Bem feito!
Eu poderia estar trabalhando gora, isso foi o que smepre quis pra mim, trabalhar enquanto todos dormem sem ser guarda-noturno.

Sempre funcionei melhor durante a noite. Provavelmente porque somente nesse horário tenho paz pra fazer o que mais gosto: ler, escrever e tentar pensar. E de tão poucas noites disponíveis para estes 3 atos sagrados, eis que jamais consegui exercer com propriedade qualquer um deles. Escrevo mal, leio pela metade e não penso porque não dá tempo.

Vivo a digerir coisas que não comi ou que se pudesse escolher não comeria. Não nasci para o sucesso. Nenmhum ser humano carioca que torça pelo Botafogo e Império Serrano está fadado ao sucesso!
Ninguém que em sã consciência tenha um blog com esse nome cafona e escreva um post desses almeja na verdade a fama. Quisesse a fama e escreveria "Beber, Cair e Levantar"...

Mas a vulgaridade assim como a genialidade não são para os que querem.
Pior é não ser vulgar e não chegar a ser um gênio! Para estes foram criadas as madrugadas e blogs com nomes cafonas...

domingo, 21 de junho de 2009

(PEDACINHOS)


A felicidade nunca é completa, mas ainda bem que podemos sentir os pedacinhos de dias felizes que acontecem.
Eu sei que não teremos tudo jamais, mas algumas coisas quero, quis tanto que que é um pedaço enorme de se feliz, ainda que todo o restante me falte...

Eu ando apreensiva e com medo do futuro, mas se esse é o preço quero mais ainda tanto medo

domingo, 30 de novembro de 2008

(Balanço do1º Semestre)


julho 2008.
Mais de 6 meses do último reveillon e acho que Papai Noel já botou s renas a caminho. Logo depois do Dia da Criança ja vai ter cheiro de neve falsa no shopping. Neve falsa, dinheiro de plástico, cheques voadores, promoções inverídicas e sabe-se lá mais o que o nosso consumismo é capaz de provocar na imaginação dos empresarios...

Não sou o que se chama de pessoa endinheirada, muito pelo contrário. Não sou uma intelectual, apenas gosto de ler na praia, na condução, no trabalho porque em casa teno mais o que fazer ou me dão muito o que fazer, gosto de alguns filmes absurdos, que intercalo com filmes possíveis porque não tem graça ir ao cinema e não ter com quem comentar...

Eu vi Batman, na primeira semana. O Escafandro e a Borboleta, Crônicas de Nárnia, Homem de Ferro, Crime e Reparação, Piaff,Elizabeth, Beijo Roubado e mais de uma dezenas de filmes que não estou lembrando agora.
Fui ao teatro pra ver Otelo, Divina Elizeth, O Diabo Veste Saara, O Processo, e mais umas peças que já tenho dúvidas se pertencem a este semestre ou algum outro do ano passado... Vi coisas boas e ruins, mas continuo achando que o mais importante da cultura e da arte é ter com quem comentar ou debater, interação, pois a arte não pode existir e haver em si mesma, por mais que nasça na solidão ou o artista precise de sossego pra criar, nenhuma arte é completa se não ganhar mundo, olhos e corações. Depois, se tivermos pendores artisticos, localizar portas e chaves por onde se possa evadir nos baço leves e frageis da inspiração, fugir das garras possantes da obrigação!
Por isso eu escrevo, porque estou viva e para manter nessa vida besta alguma sanidade.

Algumas coisas não quis ver como "A Noviça Rebelde". Ah! Chega de cortinas virando roupa de gala! E não gosto de musicais, embora ame música.
Agora começo a achar que faço a linha garota-agora-mulher-deprimida-e-do-contra. Daquela que sobrevive quando todos pensam que ela vai se jogar da ponte; se esconde quando todos vão procurá-la na festa e quando deveria estar estar no fundo do poço, aos prantos, ela sorri!

Posso dizer que parei de fumar. Não aguento o olhar delator dos em volta quando pego o isqueiro. Ah, Se eu tivesse dinamite em vez de cigarros para acender com ele... Estaria fazendo com os não fumantes o que eles já fizeram comigo inúmeras vezes! E olhe que nunca fumei em lugares fechados.

sábado, 29 de novembro de 2008

( )

Difícil manter a assiduidade e terminar a estoria afinal!
Só vou poder postar outra vez na quarta... Se até eu não esquecer a estoria que estava contando...rsrsrsr

Pros amigos de fora:
Tá um sol de rachar! Parece que Deus resolveu fazer as pazes com quem trabalha em escritório (fez um puta sol no findi depois de vários findis mormacentos com cara de finados) e com quem vende cerveja na praia... Agora só falta o Lula tbm liberar um aumento pros pensionistas comprarem seus remedinhos na santa paz!

Em 04/12/2006 from Net Log

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

(Amigos (?!))

Ser famoso é bom! E não tem tanto a ver com a vaidade, pelo menos no seu lado mais conhecido. O reconhecimento espontâneo e verddeiro irriga a alma e dá corda à vontade e imaginação.
Algumas coisas são belas porque são geniais, no entanto precisamos privar-nos de dizê-las, mas ter orgulho de um trabalho bem feito é bom, mas sentir orgulho de um reconhecimento bem aplicado e maravilhoso e quem vai entender isso?
Melhor não comentar, o nosso sucesso incomoda muito mais a uma certa gama de amigos que à faixa de inimigos... Não podemos dizer que são amigos falsos, são amigos de determinados momentos e estes sempre dizem o que gostamos de ouvir, daí são promovidos a categoria de amigos quando sabemos e não queremos saber o que realmente são. São aqueles que agora estão pensando se a minha conta bancária aumentou e esperam eu passar de carro pra averiguar qual a marca e modelo e mediante isto me dirão: "parabéns!"

terça-feira, 11 de novembro de 2008

(EM FRENTE)

Então foi um tremendo sucesso. Um sucesso que não deu pra curtir. Eu acho que não sei exatamente o que estou fazendo quando me lanço nas coisas impensáveis. Uma única pessoa tocando uma produção cheia de gente, num teatro daquele tamanho. Eu confio no destino, entrego minha vida nas mãos do destino e o que diz respeito a trabalhar, eu caio dentro, não penso, não vacilo, vou ter toda uma eternidade pra descansar, já fiz tanta coisa que não gostava, porque querer folga agora quando faço o que amo?
A diferença começa a existir enquanto os outros dormem eu trabalho. Enquanto os outros passeiam e só penso... Mas teve gente que dormiu e acordou a tempo de subir ao palco e tentar tirar uma casquinha. Fiquei triste, deprimida e chateada. Fico pensando, como um ser humano pode ser tão cara de pau... E como eu pude ser tão ingenua d acreditar Enfim já foi.Fcou a festa, a semente e experiência. Na hora certa as pessoas certs se mobilizam e as erradas também.Mas há sempre alguma coisa que podemos fazer e a coisa mais certa que faço é seguir em frente.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

(15 de setembro)

Amanhã é o dia do Musica Pró-Vita. Acordei com um frio na barriga...
Estou tremendo desde cedo. Por mais que se providencie tantas coisas, muitas atrasam. Um monte de coisa dá errado. Está frio e chuvoso o tempo na Cidade Maravilhosa e penso que isso pode impedir que alguns de ultima hora saiam para ir ao teatro, por isso mesmo eles deixaram para ultima ahora... Não enfrentam adversidade e poupam seu dinheiro...
Que pena eles não sabem que num tipo de show como este nada é perdido...
Adversidade é ter uma doença que nada fizemos para que a tivéssemos...

Um amigo militante da causa gay falava sobre a facilidade ou dificuldade de conseguir conscientizar as pessoas para as precauções a fim de evitar-se o virus do HIV(ou talvez devesse eu, dizer soropositividade...).
Falei para ele que era muito bom ter recursos para se impedir uma doença, o que não acontece com câncer, que independe de tudo... Um traço tragico que acolhe pessoas de todas as idades, raças... Uma coisa ruim que gruda em crianças que nada fizeram
Não há como impedir, não temos como evitar, não sabemos ao certo de onde vem e soubéssemos de que adiantaria?

Somente a solidariedade para aliviar a dor de quem está nos braços de uma doença com a qual não se envolveu...

Amanhã é dia de show, boa sorte e longa vida a todos que lá irão!
Boa sorte e longa vida aos muitos que compraram entradas e não comparecerão, é uma pena, é gostoso estar junto sempre...
Tudo de bom e obrigada a todos que de uma forma ou de outra participaram ajudando a divulgar, até mesmo se preocupando e torcendo.
CADA INGRESSO, MUITAS VIDAS. COLABORE COM ALEGRIA!
SALVAR UMA VIDA NÃO TEM PREÇO.
SER SOLIDÁRIO É UM RMÉDIO PARA CÂNCER DO EGOÍSMO.
RECLAMAR DE BRAÇOS CRUZADOS, NÃO VAI ADIANTAR NADINHA...
A morte por bala perdida é a mesma que ronda os leitos dos doentes. A diferença é a mídia...

VEM! PRA ESSE SAMBA, VEM!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

(CRESCER)

Quando ele fez 15 anos eu senti como se estivesse num aeroporto aguardando um vôo que no meu pensamento aterissaria mas no meu sentimento decolaria. Chorei várias vezes durante o dia, sem saber exatamente porque. De certa forma era como se estivesse havendo uma despedida. Sentia os meus 15 anos tão próximos, que poderia contar tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Foi assim, a minha infância me visitou, inteira, toda de uma única vez.

De repente era uma saudade de algo que não perdi, mas sabia, estava prestes a perder. Aquele menino não viria mais correndo até mim. Ele nunca mais me pediria mingau na hora da novela, ele nunca mais veria novela... Talvez ele dispensasse os passeios que sempre fizera questão. Talvez eu não pudesse mais lhe fazer algum convite interessante. Ele não era mais um pequeno ligeiramente desajustado que não conseguia fazer amigos. Ele hoje tem muitos amigos. Finalmente, foi apagada aquela festa da casa de praia!Ele é tão melhor hoje do que há tempos, mas não é mais meu bebe... Ao mesmo tempo uma alegria por tudo o que ele tem pela frente, orgulho pelas conquistas e descobertas mesmo que elas não fossem mais divididas comigo. Pensar não ser mais necessária doeu mais que ter de decidir coisas difíceis.

Parecia que tudo seria pela última vez e dava medo a sensação de todas as primeiras vezes que viriam. Aquele rosto infantil criando barba, engrossando a pele. Aquela voz estridente desaparecendo no ar, como alguém que embarca pra não voltar mais. Exagero, eu sei, mas senti. E todos aqueles dias que a gente viveu sem pensar e sem avaliar cobravam agora suas notas. Sempre tem algo que poderiamos ter feito melhor. Porque no fundo por mais que tenhamos nos esforçado, sentimos um dia a sensação de que não foi o suficiente ou que poderia ser melhor? Meu pensamento me responde que nos aprimoramos a cada dia, aprendemos com os minutos que passam por mais que não tenhamos nos dado conta disso, as manhãs nunca nos encontram no mesmo lugar, nem do mesmo tamanho, o sol nos modifica como muda as cor das árvores, das flores e amadurece os grãos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

(MEU TIO)

Meu tio foi a prmeira pessoa totalmente negra que tenho lembrança de ter visto. Ele era bonito e tinha coisas diferentes de toda a família, como por exemplo, gostar de ler. É certo que ele lia umas coisas esquistias Pequenos livros de bolso, recheados de páginas de papel que me parecia pior que jornal e com tantas letras que por mais que buscasse uma figura, gravura, desenho, não encontrava.

Vinha na hora do almoço. Almoçava, deitava na cama da minha avó lendo os livros que nunca sabia quando eram substituídos por todos me parecerem tçao iguais. Eram histórias de 'westerns' que, a princípio não conseguia saber se eram boas ou não, os livros serviam-lhe para cobrir seus olhos quando dormia sem que ninguém percebesse. Após esse ritual, ele ia embora, no início levando uma carrocinha de madeira que ele puxava carregando suas ferrametas de trabalho: uma vassoura enorme e uma pá de metal. Depois ele montava na sua bicicleta e suas ferramentas de trabalho passaram a ser uma prancheta, planilha e caneta.

Ele andava o bairro todo de bicicleta, tinha um defeito físico que só percebi de crescida, assim como demorei um pouco a perceber que os seus livros eram bons de se ler, embora eu ainda preferisse, livros com folhas brancas e lisas, fontes grandes e desenhos ou fotos, ainda que não gostasse tanto de revistas e apreciasse fotonovelas. Mas estas quem trouxe para o meu universo foi minha mãe.

Meu tio era uma figura inominável. Os comenários eram de que ele na juventude era extremamente vaidoso, vestia com muito apuro um terno branco de linho e eu ficava a imaginar aquele negro tão bonito e magrinho, de terno branco ecepcionalmente bme passado e me vinha à mente, hoje, só hoje eu sei, uma imagem dessas que estamos acotumados a ver de malandro que smboliza a Lapa.

Ele tinha uma voz muito bonita, muito mais bonita que a do Nélson Gonçalves. Cantava seresta. Tinha muitos anos de casado e mais de 10 filhos. Morava numa casa de madeira que a gente tinha um certo receio de denominar como barraco. Um quintal com umas 3 casas e aquele barraco e muita criança correndo. Todos decerto modo, parecidos. Morenos de cabelos negros e olhos mais negros ainda, Todos tão felizes quanto mal arrumados e esbranquiçados de tanta brincadeira e correria. Na cozinha a louça sem lavar empilhava-se. Pela sala e quarto as roupas se espelhavam como num cenário de novela, de livro naturalista. Mas eu via como aqueles primos eram felizes! Eles tinha liberdade e faziam coisas que eu jamais poderia sonhar.

Eram raras as vzitas, mas quando aconteciam eram inesquecíveis, no entanto esses primos eram muito melhores como visitas do que como anfitriões. Com excessão de um deles, que tinha o cabelo mais liso e era o mais levado e nos visitava com mais frequencia por ser afilhado da minha mãe. Menino engraçado! Ma deixa estar os primos para lá. Lamento, mas não tenho saudades, saudade tenho do meu tio. Com tantas crianças em casa a mim não parecia que fosse um adulto vidrado em crianças e suas artes...Seria overdose

terça-feira, 8 de julho de 2008

(SOLIDÃO)


Há uns momentos de solidão por mais pessoas que estejam a minha volta. Como se fosse estrangeira,como se viesse de um país distante, como se falasse uma língua estranha. Ouvem-me e não me entendem...

Há momentos que me sinto fora do tempo, deslocada de uma vida que construí e conheço inteira. Dá um medo de abrir a boca! Encaro os olhos que estão pela frente e são tão indiferentes...

Há momentos que lembranças me assombram, invadem o meu presente e me surgem calafrios... Um desconforto em estar vivo, um preguiça de me mover. Deve ser assim que alguns enlouquecem deve ser por isso que muitos se esquecem e vivem assim, esquecidos de si, projetando-se em outros, falando pra outros que deveriam falar a si próprios, falando de outros o que deveriam falar sobre si mesmos. Esquecer-se, uma outra forma socialmente aceitável de enlouquecer. Esquecer-se num casamento, numa família, numa igreja, num trabalho em tudo que poderia ser uma outra coisa qualquer.

Eu queria ser aquela pessoa simples que vende tapioca, aquele ambulante que faz piada debaixo do sol pra todos que passam. Eu queria ser uma linha reta, contínua sem aclive nem declive, eu queria acordar todo dia igual (não importando se no fundo, lá no ouvido da alma soasse aquele apito que nas UTIs informa o fim das atividades vitais).Esperar ansiosamente o fim de semana e sair por aí vivendo um dia depois do outro como se nada tivesse acontecido. Ignorando fatos, aguardando o próximo capítulo da novela. Sem dúvidas entre Flora e Donatela.

E se eu cantasse, seria só MPB, eu não queria ter essa alma que grita rouca roquenrou, nem imaginar o pensamento do outro, nem duvidar que tenho sorte, nem ansiar por um rosto mais bonito, desejar uma alma sem dor, sem ferida, sem partida. Trocar essa alma velha que me acompanha por mais que eu troque de corpo e mude de par e fale aos amigos...

sábado, 5 de julho de 2008

(REVENDO O VÍDEO)


A mão que se arrebentou tocando violão agora se estraçalha no teclado sem compor uma única nota a não ser tec-sherec-tec-tec-tec...

Nunca se sabe ao certo quando deixamos dormir a arte nas nossas vidas...
Não sei quando decidi não mais ser artista... Se é que desisti(há decisões que a vida toma por nós). Acreditei nas palavras da família careta, da mãe repressora que acreditava que cantar num bar não era o início de uma carreira saudável, mas uma queda para um abismo de coisas que na época eu nem sabia que existiam... Verdade que hoje, esses abismos elevam, dão um ibope danado com as meninas... Verdade que tendemos temer o que não conhecemos, acreditamos porque nos convem, logo se nos plantam na alma o medo jamais acreditaremos em nós.

Muitos anos depois, descobri que toda a criança faz um microfone do fio da enceradeira, do cabo da vassoura do frasco de desodorante...
É engraçado, talvez. Mas desisitr dos sonhos é ridículo!
Pergunto-me às vezes, o que se lucra seguindo as normas, acreditando nos pais, crendo no país. Muitos podem não lembrar mas esse já foi o "país que vai pra frente"... Não foi e eu também não. Somos pacífico demais, achamos que política é complicado demais, que política é pra políticos e não vemos que os políticos são interessados demais neles mesmos para se sentirem parte de um contexto onde nós estamos incluídos...

Deixamos a política para eles e nos interessamos mais pela diversão e achamos que o trabalho é a saída... Falando com sinceridade: não consegui nada trabalhando e ainda fui trabalhar no que não gostava porque todos riam quando dizia que meu sonho era cantar Rock. E riam mais ainda quando mudei de idéia e percebi que escrever era mais fácil do que cantar, porque pode-se escrever solitariamente...

Um dia eu descobri não ter perfil para o palco...
Logo depois descobri que todos me assistiam... Acompanhavam-me como se eu fosse uma novela. Era mais fácil do que gerenciar suas próprias frustrações... No entanto bato palmas tão bem e com tanto gosto! Para mim, poltrona o lugar mais confortável de qualquer sla de entretenimentos seja ao vivo seja em celulose ou DVD. Enganam-se os que pensam que decoro o texto, que faço pose. No máximo, o que acontece é que o meu corpo chega a qualquer muito antes da minha alma. Minha alma se atrasa e só chega depois que os olhos fez todo o seu trabalho, encontrando um local para me esconder ou alguém pra me amparar.

Eu sou um vídeo de mim mesma, com um roteiro que comecei a escrever tarde demais e o maior problema é a direção...

sábado, 5 de abril de 2008

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Acho que sempre fui uma boa criança. Me contentava fácil com qualquer coisa. Mas os adultos são insaciáveis e viviam reclamando do meu humor mutante, do meu "bico" quase constante. Não importava o quanto eu ficasse quieta, postura boa para eles era eu estar com a cara enfiada nos livros, de escola, note-se bem! E como eu amava o meu livro de português da 4ª série recheado de crônicas de Rubem Braga e Fernando Sabino! Poemas de Drummond e Cecília, umas pitadas de Bandeira! Mas o auge foi quando me apresentaram Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães.

Eu era capaz de passar um dia inteirinho lendo. Comprar livros não era muito fácil, diria que era impossível. Mas eu conseguia muitos "no lixo" dos patrões do meu irmão que embora não lesse muito ou talvez nada, sempre que via um livro para ser descartado levava pra casa. Depois tornei-me sócia de uma biblioteca do bairro e guardava em segredo a minha expectativa de ir um dia à Biblioteca Nacional - Céus! Eu tinha uma foto da BN recortada da revista! Guardava escondida como se fosse a foto da minha namorada e eu, um soldado no front; ou como uma recém-casada que perde o noivo para a guerra na noite de núpcias e admira-lhe o retrato com desejo e sem saber o certo quando o amor se consumará. Era uma estrutura inimaginável, um templo, ao meus olhos de menina perdida numa varanda improvável de um bairro complicado e distante. Acho que as pirâmides egípcias não me fascinavam tanto quanto a fachada da Biblioteca Nacional que eu namorava naquela foto recortada de revista.... Não tinha menor idéia de como chegar naquele templo e mesmo depois que aprendi, faltaria ainda muito para que eu pisasse lá pela 1ª vez, posso, adiantar que ate hoje isso ainda não aconteceu...
O fato é que lia tudo o que me caísse às mãos e quando nada caía nelas, lia os verbetes do dicionário do MEC, o único livro respeitado naquela casa.
E quando na escola conheci o Simbolismo, alguma coisa mudou e eu nunca soube o que exatamente. Percebi que o poema era especial quando fruto de inspiração, porém saber fazer um poema era demonstrativo de competência, capacidade, fazia o poeta verdadeiro ser um poeta de verdade. Juntando-se a leitura ao conhecimento de estilos e técnicas literárias, surge algo que desafia a nossa alma a repetir a viagem que os antigos fizeram. E se eu não admirava Olavo Bilac, exceto o poema "Ouvir Estrelas", cmecei a ver sentido em "limar o poema" até que se tornasse simbolista, "engastando-lhe o precioso rubim"- Uma coisa boa na escola que só entendemos quando passa é justamente a obrigatoriedade conhecer também aquilo que não gostamos... Eu me via na torre de Ismália. E comecei a sentir-me simbolista no alto da minha torre de marfim! Claro que os temas se misturaram, mas nunca esqueci o meus exercícios para chegar à aliteração perfeita. E de poeta transloucada, incendiária, implicante, explosiva, passei a estudante de rimas, métricas e palavras, admito que amava muito mais a métrica que as rimas as quais vejo com reservas até hoje (pra rimar tem que ter um talento de Vinicius). Nada me soava mais modernos do que Drummond e sua simplicidade refinada a falar de tudo e emitir opiniões,ele abusava da rima e da ausência dela e era o tempo todo, genial! Um espelho tão grande pra alguém tão pequeno... Sozinha, sem incentivo, nesta ocasião eu tinha a minha intuição, um livro de literatura e o gosto pelos dicionários, não sonhava ser escritora e ninguém vira poeta, um poeta se reconhece na primeira torcida de nariz que o mundo lhe dá.Nascemos poetas, como nascemos seres humanos e nem uma coisa nem outra nos isenta de crescer pelo contrário, são pré-requisitos do gênero... No entanto o que o meu poema perdeu de selvageria, ganhou em poesia propriamente dita. Deixei de discursos poéticos, prosas disfarçadas em textos de linhas quebradas pra aprender com os mestres e hoje sei que aprendi muito pouco. O reinado do poema foi transitório, porém consistente, mas o que sobrou dele foi a emoção de um dia ter tentado sozinha fazer algo de grandioso, mesmo que para ficar oculto no anonimato da minha timidez e nas críticas familiares. Não, a Rosa do "Feijão e o Sonho" não era uma megera, tipo de bruxa dos tempos modernos que Orígenes Lessa criou. Ela estava ali,pertinho, dormindo no quarto ao lado, fazendo comício para que todos me convencessem a estudar cada vez mais matemática...
Antes que me perguntem: Passava de ano por milagre, "puxei"uma única recuperação em toda a minha vida de estudante